OPINIÃO

Artigo: A imponência de um Carvalho: Brasitânia

Artigo: A imponência de um Carvalho: Brasitânia

“Brasitânia atravessou os anos com um povo nunca se rebaixando a nenhum mando ou desmando...”

“Brasitânia atravessou os anos com um povo nunca se rebaixando a nenhum mando ou desmando...”

Publicada há 3 horas

80 anos... O que carrega em si as longevas 8 décadas? Se fosse um casal, talvez um comércio, Paróquia, Diocese, Capela ou Santuário estaria a celebrar algo peculiar: as Bodas de Carvalho. Quando nos deparamos com majestoso Carvalho vemos aquela imponente árvore contando uma história de resistência – ele sobreviveu estiagens, suportou tempestades, aguentou ventanias, alguns foram fortes diante até raios ou tufões e mesmo com tanto intemperes, ele existe, resiste e nos conta sobre o que os anos não conseguem contar! Assim é Brasitânia: uma terra que se fez valente pela garra, coragem e gana da sua gente!

Podemos contar sobre o que muitos historiadores narram do glorioso distrito, como a disputa de João Guerreiro Conde e Joaquim Eleutério pela posse das terras do espigão Santa Rita, e o marco de cederem as terras onde aos seus arredores de onde mais tarde se formaria a Bela Vilinha que veio para tanger a Eternidade, só que me atenho à recordação da altivez de Alfredo Pernambuco e seu encarregado João Cearense, cortando a antiga Estrada Municipal trazendo o Majestoso Cruzeiro que seria o ponto fundacional dessa terra, desse recorte de uma grande nação.

Brasitânia atravessou os anos com um povo nunca se rebaixando a nenhum mando ou desmando, muito pelo contrário, aqui muitas pessoas não deixaram que a finitude de suas vidas delimitasse o fim, afinal, o legado de uma Zenilda Vianna nos mostra a fibra de uma mulher que defendeu a cultura e a identidade da nossa gente – é pelo sonho, coragem de Zenilda que culturalmente Brasitânia deixou sua marca no município de Fernandópolis, e bem nos deixou as emblemáticas frase, que “Brasitânia não pode se perder na poeira do tempo” e que “Brasitânia deveria ser a menina dos olhos de Fernandópolis”.

Em nossa cultura, não apenas Brasitânia, mas todo interior paulista ficou conhecido na viola, voz dos irmãos Ferreira, em todo Estado de São Paulo conhecidos como a dupla Quintino & Quirino!

Foto: Reprodução / Fonte: Arquivo pessoal

Aqui, recordo a fibra de Saulo Borin, que atravessou tantos estados brasileiros, empregando tantos homens e mulheres de Brasitânia, conhecendo a produtividade do solo e trazendo desenvolvimento agronômico para o Distrito, assim como Saulo, nomes como Rubens Marcondes e Antenor Ferrari que foram os primeiros a investirem em seringais nesse solo.

Falando em Antenor Ferrari – recordamos o maior político que Brasitânia conheceu, um nome que desenvolveu a infraestrutura do distrito, amplificou o que hoje é a Escola Estadual Professora Maria Conceição Aparecida Basso e por anos, no legislativo estudou e implementou projetos, que até o fim de sua vida marcaram e marcam nossa história.

É válido recordar nomes que potencializaram a força pecuária do Distrito, como a família Scatena e os gloriosos anos 70, a qual o saudoso Dionísio Ventura mencionava como a época dos “barões do café”. Dionísio entra nessa lista, como o presidente de bairro, que junto com Dinei Lima tornaram um marco as festas de peão, já sediadas em nossa vila.

São inúmeros nomes a mencionarmos, parece injustiça citarmos uns e esquecermos de outros, mas é que Brasitânia tem um legado tão forte, que não conseguimos mensurar todos os seus heróis. Recordo de Maria de Lourdes Pussoli, que ainda em 2006, quando o Estado de São Paulo não tinha a estrutura do Programa Ensino Integral, já naquela época Lurdinha tornou a Escola Basso uma escola de período integral. Junto com ela, marcou nossa história nomes como Maria Conceição Aparecida Basso, Aidi, Silvanei e Irene Scatena.

Por fim, recordamos da nossa fé com nomes que não simplesmente deram um testemunho de credulidade, porém nesse marco de sua religiosidade fizeram a nossa história, aqui falamos de Américo Borin, Valter Curti, Lismara Alves, Diva Aparecida da Silva, Gildo Braida, Cirilo Gomes e tantos que estão no panteão dos homens e mulheres que doaram suas vidas, não apenas por aquilo que acreditam, sim por uma terra que resolveram fincar raízes.

Isso é Brasitânia! Ao celebrar sua boda de Carvalho, ela celebra a sua essência. Tal qual o Carvalho ela vai atravessando os anos e quem vê sua imponência, sabe que é muito mais que resistência: é luta de gente que jamais desistirá!

Vanderlan da Silva é jornalista, teólogo e licenciado em Filosofia.

O texto é de livre manifestação do signatário que apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados e não reflete, necessariamente, a opinião do 'O Extra.net'.

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