POLÍTICA
PF intima Danilo Campetti para explicar “Pixuleco” com a prisão de Lula
PF intima Danilo Campetti para explicar “Pixuleco” com a prisão de Lula
Imagem do deputado candidato à reeleição conduzindo o presidente com uniforme de presidiário
Imagem do deputado candidato à reeleição conduzindo o presidente com uniforme de presidiário

A história de Danilo Campetti (Republicanos), policial federal e candidato novamente a deputado estadual por São Paulo, ganhou um novo capítulo — e, desta vez, dentro da própria Polícia Federal.
Campetti foi intimado pela corporação para prestar depoimento na próxima terça-feira (25) sobre sua suposta participação em um ato político realizado em 1º de março de 2026, na Avenida Paulista, em São Paulo, e numa festa de aniversário em São José do Rio Preto, nas quais um boneco inflável do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, vestido de presidiário, teria sido colocado ao lado dele.
O episódio chamou atenção justamente pela trajetória do policial. Campetti foi um dos agentes responsáveis pela prisão de Lula, em 7 de abril de 2018, e também participou da condução coercitiva do então ex-presidente, determinada pelo juiz Sergio Moro, em março de 2016.
A partir de 2018, porém, sua trajetória profissional e política se aproximou do grupo de Jair Bolsonaro.
Especialista em escolta de autoridades, Campetti passou a integrar a segurança do então candidato Jair Bolsonaro durante a campanha presidencial de 2018. Após a eleição, foi nomeado para cargos no governo federal, atuando no Ministério da Agricultura e posteriormente no Ministério da Infraestrutura, então comandado por Tarcísio de Freitas.
Em 2021, Bolsonaro chegou a homenageá-lo publicamente no Palácio do Planalto.
No ano seguinte, Campetti decidiu entrar na política. Candidatou-se a deputado estadual pelo Republicanos e utilizou em sua campanha justamente a conhecida imagem em que aparece prendendo Lula. Naquele período, também fez campanha ao lado de Tarcísio, que disputava o governo de São Paulo.
Campetti recebeu 52.393 votos e terminou como segundo suplente.
A trajetória política do policial, entretanto, também foi marcada por controvérsias.
Em 2022, Campetti se envolveu em um episódio de tiroteio em Paraisópolis que terminou com a morte de uma pessoa. Ele estava de folga da Polícia Federal, mas teria exibido o distintivo durante o confronto.
No início do governo Tarcísio, o governador solicitou à Polícia Federal a cessão de Campetti, que passou a atuar como assessor especial.
A permanência, contudo, foi curta. Em junho de 2023, a PF pediu o retorno do policial e abriu um processo disciplinar relacionado ao episódio de Paraisópolis. Campetti acabou suspenso por 180 dias.
Em 2024, uma reorganização no secretariado de Tarcísio abriu uma vaga na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). Campetti assumiu o mandato de deputado estadual em 27 de junho daquele ano e permaneceu no cargo até abril de 2026.
É justamente nesse período que teria ocorrido o episódio agora analisado pela Polícia Federal.
Campetti, que agora estabeleceu Votuporanga como seu epicentro político/eleitoral, nega ter qualquer envolvimento na organização ou utilização do boneco nos dois episódios.
Em declaração à CNN, afirmou que não tem relação com a iniciativa e que, ao chegar ao aniversário, teria inclusive pedido que o boneco fosse retirado. Segundo ele, situação semelhante teria ocorrido na manifestação da Paulista.
O policial também questiona a própria legalidade do procedimento administrativo instaurado pela PF.
Campetti sustenta que uma eventual apuração por crime contra a honra dependeria de iniciativa específica do próprio presidente Lula ou do ministro da Justiça. Na avaliação dele, como isso não ocorreu, o procedimento seria ilegal.
A Polícia Federal, porém, esclareceu que não abriu investigação criminal nem processo disciplinar por crime contra a honra do presidente.
Segundo a corporação, trata-se de um procedimento administrativo destinado exclusivamente à apuração dos fatos — uma diferença jurídica importante em relação a uma investigação criminal.
A Secretaria de Comunicação da Presidência da República e o Ministério da Justiça não comentaram o caso.
Campetti está novamente na disputa eleitoral neste ano. Ele é candidato a deputado estadual por São Paulo pelo Republicanos.
E aqui está a curiosidade política do episódio: o mesmo policial que ganhou notoriedade nacional ao participar da prisão de Lula em 2018, que depois se aproximou de Bolsonaro, ocupou cargos nos governos federal e paulista e chegou à Assembleia Legislativa, agora precisa prestar esclarecimentos à instituição à qual pertence por causa de sua suposta participação em um ato político envolvendo um boneco do atual presidente da República.
A política, como se sabe, costuma produzir dessas ironias.