HISTÓRIAS DO T

Palmas e muitas palmas pra 'Moça de Barretos'

Palmas e muitas palmas pra 'Moça de Barretos'

Por Claudinei Cabreira

Por Claudinei Cabreira

Publicada há 8 anos

Como estamos às vésperas da realização da 49ª Expô, que tal um mergulho no túnel do tempo? Para o escritor Zuenir Ventura, 1968 foi o ano que não acabou. Para os fernandopolenses, apaixonados pela maior e mais famosa festa da cidade, e uma das melhores do país, 1968 foi o ano que tudo começou!


Lembro que o então prefeito, Percy Waldir Semeghini, eleito em 1963, numa acirrada disputa com o lendário advogado criminalista Fernando Jacob, começou seu mandato em 1964 e terminaria em 1967. Eram os anos de chumbo da ditadura, e ele acabou ganhando um mandato tampão de mais um ano, estendendo sua administração até 1968, quando aconteceu a primeira edição da festa, então denominada Exposição de Animais, Produtos Agrícolas Derivados. No primeiro ano, o acesso de ida e volta para o recinto da festa era pela Avenida Theotonio Vilela, passando pelo trevo da Brasilândia. Era um caminho complicado. Pior que isso era cortar caminho seguindo a pé partindo do trevo Central até o recinto.


No ano seguinte Leonildo Alvizi assumia a prefeitura de Fernandópolis e no ano seguinte começava a construção da estrada de acesso, hoje Av. Augusto Cavalin, que foi construída à toque de caixa,  em menos de trinta dias, com maquinas trabalhando dia e noite. Devido a construção daquele estradão de terra batida, surgiu o açudão, hoje conhecido como represa municipal. Logo, o lugar virou o principal ponto de lazer daqueles que não podiam se filiar aos clubes sociais da cidade, como a antiga ADF, depois Tênis Clube.


Nas tardes de sábados, domingos e feriados, o açudão ficava apinhado de gente de todas as idades e de todos os cantos da cidade. O povo aproveitava o local para fazer piqueniques, nadar e pescar. Lembro que na alta temporada de verão, a gente derretia ao sol, porque não havia sombras por perto. Então, o jeito era ficar o tempo todo com o corpo mergulhado dentro da água, nadando ou não fazendo nada.

Na nascente da represa havia uma enorme moita de bambu nativo. Logo a molecada descobriu que o bambu, quando seco, flutuava na água e aí, grudados em bambus, lá íamos nós, nadando da nascente até o aterro da represa. Lembro que isso virou uma febre entre a meninada, igual as câmaras de ar de carros e caminhões, que se transformavam em bóias salva-vidas. Mas bom mesmo, era tomar banho na bica, do outro lado do aterro do açudão. Bons tempos aqueles.

Mas voltando ao começo da nossa conversa, claro que o recinto da Exposição naquele tempo, era bem menor e mais acanhado. O palanque das autoridades, convidados e do locutor de rodeio, também servia como palco para apresentação dos artistas. Era de madeira e ficava no lado sul da arena, à esquerda do palco atual. A arena oval do rodeio, era plana e gramada, cercada com uma base de vigotas que ficava à altura do peito de um adulto, como um parapeito mesmo. 


Lembro que as crianças ficavam sentadas no gramado. O risco de acidentes para a platéia era grande, mas não me lembro de nada grave que tenha acontecido nessa época.


Para os rapazes e os mais velhos, a Expo era uma perdição, principalmente se o sujeito descambasse para a região norte do terreno, onde ficavam os barzinhos com seus reservados suspeitos, alguns secretos. Essas ruelas, palco de acontecimentos nada recomendáveis, ficaram famosas e ganharam até nomes sugestivos como Coréia e Vietnã! A primeira boate do local foi a Arrastão, do nosso amigo Gilson Carósio. No ano seguinte, os meninos da banda The Hells abriram a “El Burricon”. Eram tempos animados.


Lembro que numa das primeiras festas, foi anunciada a participação de uma amazona de Barretos, no festival de montarias. Nessa época, eu estava começando a carreira, como repórter na antiga Gazeta da Região. A imprensa, de um modo geral, deu grande destaque para a moça, até porque além de bonitona, ela também tinha lá uma certa fama, e já havia participado de outras festas pela região.


No dia marcado para a apresentação da “Moça de Barretos”, não se falava outra coisa na cidade. O povão lotou o recinto para ver a grande novidade. O locutor do rodeio, com a voz empostada, anunciou solene o nome da “Moça de Barretos”. Foguetório e palmas do povo. Foi a conta de abrir o brete,  o cavalo já saiu pulando e corcoveando feio. No primeiro pulo do alazão, ela perdeu o chapéu panamá. No segundo pulo, se desequilibrou, e no terceiro, voou de ponta cabeça no gramado. Foi um tombo muito feio. E depois, refeita da queda, a loirinha saiu manquitolando, amparada pelos peões. Novo foguetório e muitas palmas de novo, para a “Moça de Barretos”. Bons tempos aqueles. Semana que vem tem mais. Até lá.



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