
Hoje, esta coluna está comemorando o seu sétimo aniversário. Tudo começou com um artigo acidental, na edição especial de aniversário da cidade, no ano de 2010, com o título: “Lembra do Botinão da Casa Douglas?”
Daí, atendendo à sugestão de amigos e leitores, decidimos contar as Histórias do Tempo do Botinão. Aliás, diga-se de passagem, uma forma singela de homenagear a memória da cidade e daqueles que ajudaram escrever belas páginas de sua história. Passagens curiosas de personagens notáveis ou anônimos, desse incrível “Exército de Brancaleone”, que na humildade típica de nossa gente, ajudou cada um ao seu modo e ofício, construir a nossa Fernandópolis de hoje.
Escrever esta coluna todas as semanas, mais que um desafio e um dever, é um enorme prazer. Até porque nasci aqui nesta terra abençoada por Santa Rita de Cássia. Na minha infância, pisei no chão de terra batida das ruas Brasil e São Paulo (foto), vi o asfalto chegar. Sou do tempo que a energia elétrica era gerada pela Uselpa e o gerador era desligado às 10 horas da noite, deixando a cidade às escuras. Vi o povo erguer o grande Cruzeiro azul e branco, na avenida da Estação ( hoje avenida Afonso Cáfaro), bem no comecinho da antiga avenida Doze, defronte à antiga Casa Nossa Senhora de Fátima, do saudoso Antonio Rolim. A Uselpa ficava onde hoje funciona a Regional da Sabesp, e nos fundos do prédio, morava o elegante e incrível “Nino sem Braços”, outro lendário personagem desta terra.
Aprendi o beabá pelas mãos generosas da paciente e bondosa Dona Eliete Vidotti, minha primeira professora, no Grupo Escolar Afonso Cáfaro, que era dirigido por mãos-de-ferro da lendária Leontina Conceição Siqueira. A escola ficava onde por muitos anos funcionou a Escola Sesi, o prédio era menor e na sua frente, haviam frondosas árvores. O dentista da escola era o Dr. Alberto Scaloppi, inspetora de alunos era a Dona Cacilda de Oliveira e a servente, a dona Jorgina Rodrigues. Naquele tempo, aluno que não estudava, levava “bomba” no final do ano e não tinha conversa. Jeitinho, nem pensar.
Junto com meus amigos, empinei pipa na Praça da Matriz, que era de terra batida, com algumas partes de gramado. Engraxei sapatos na praça Joaquim Antonio Pereira e tomei alguns “carreirões” do velho guarda Joaquim Manco. Nessa época, eu invejava o Mário Pereira (Mário da Caiçara) e o Devanir de Oliveira, que eram os engraxates “oficiais’ da banca que havia no interior da Agência Caiçara, do saudoso Osmundo Dias de Oliveira.
Ainda menino, trabalhei como aprendiz em uma fábrica de sabão em barras chamado “Vencelar”, que ficava nos fundos da Máquina Farina, na Avenida da Estação, esquina com a rua Minas gerais, bem ao lado da fábrica de Colchões Pelmex, do Áscolo. Também fui um dos primeiros funcionários da autoescola São José, de Romildo Sandrin e dali, fui trabalhar no Escritório União, de Dante Esmerini, no tempo em que o Maurilio Brassalotti era o gerente.
Um belo dia fui parar na antiga Gazeta da Região, de José de Freitas, meu amigo de fé até hoje, meu mestre, à quem devo muito. Nessa época, apesar das imensas dificuldades, a imprensa de Fernandópolis era vibrante. A Gazeta, ainda no tempo do “chumbão” e das “Lynotipes”, quando as manchetes, títulos e propagandas eram montadas “na unha”, circulava todos os dias com oito páginas em formato standart. E havia também o lendário e pioneiro, Fernandópolis Jornal, comandado pelo Dr. Jayme Baptista Leone e seus filhos João, Flávio e a Mariá, que escrevia a página social. Bons tempos aqueles.
Por falar em coluna social, a Amélia Rosa, então mocinha e funcionária do Banco do Brasil, onde acabou se aposentando por tempo de serviço, apresentava o programa “Passarela Social”, na Rádio Educadora Rural, no horário do almoço. Lembro que dava um Ibope danado. Nessa época a Educadora, gerenciada por Emerson Sumariva, tinha um senhor “cast’, uma legião de artistas do rádio. A começar pelo Chiquito Machado, que era o “professor” da Escolinha do Papai Dodô, onde o eclético Marcos Alberto, o Marcão, “se virava nuns trinta”, dando vida à uma multidão de personagens como os alunos Fifi, Genaro, Takanuca, Benedito, Motorzinho e tantos outros. Como o nosso espaço está acabando, prometo, que ainda conto aqui, alguns capítulos da rica história da imprensa escrita e falada fernandopolense. Semana que vem tem mais. Até lá.