CURVA DO RIO

Ceva caprichada

Ceva caprichada

Por Chico Piranha

Por Chico Piranha

Publicada há 8 anos


O sonho do nosso amigo Kanin, que trabalhou por muitos anos como impressor da EditoraFerjal, era comprar um carro. Ele andava injuriado por depender da carona de amigos para fazer suas pescarias pelos brejos da vida. Fez das tripas coração, ralou, fez hora extra, economizou como pôde, juntou uns trocos e comprou o tal carro.


Feliz da vida, ligou para os amigos anunciando a novidade e ao mesmo tempo organizou uma pescaria para a inauguração do “possante”, um fusca  azul claro 1967, com um paralamas de cada cor, mas isso era de menos. Enfim, aquela máquina tinha custado seiscentos reais, uma fortuna segundo ele, e o que interessava mesmo é que aquela coisa era um carro, funcionava, andavae pronto!


E todo pimpão, estufava o peito e sapecava: “com petróleo no tanque, um alicate e um pedaço de arame, a gente vai com o possante, até o fim do mundo e mais alguns quilômetros prá lá de onde o Judas perdeu as meias”.


Lógico que antes de partir para o velho e bom Rio Grande, passaram lá pelo Bar do Grade Ferro, e ali, entre uma estória e outra, esvaziaram um monte de garrafas de cervejas, fora dois litrões de manguaça da boa. Animados mais que noivo em dia de casamento, com três coca-colas daquelas de dois litros, batizadas com água que passarinho não bebe, partiram para a grande e tão esperada pescaria.


Chegando na beira do rio, o nosso herói, o estreante piloto Kanin, querendo mostrar toda sua habilidade ao volante, resolveu colocar o carro bem pertinho da margem, só que o freio do “possante” falhou e lá se foi o velho fusquinha com todo mundo dentro, para o fundo do rio. Como ali ninguém era marinheiro de primeira viagem, todos conseguiram sair do carro nadando sem muita dificuldade e foram até a sede de uma fazenda próxima, pedir um trator para guinchar o carango.


Depois de três intermináveis horas de suadouro, conseguiram puxar o carro de volta, ou melhor, só o esqueleto do fusca. É que a lataria, não era bem uma lataria, era massa pura. E os peixes comeram, é claro! Dizem, alguns conhecidos línguas-pretas de plantão, que depois disso, o lugar se transformou no melhor pesqueiro da região







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