O ser humano tem por natureza o instinto de buscar o que deseja. Segundo a teoria de Lamarck, sobre a evolução humana, estabeleceu que as influências do meio ambiente são responsáveis por mudanças nos organismos e estas são herdadas por seus descendentes, o que foi contestado mais tarde. Segundo Piaget, psicólogo reconhecido, o conhecimento se dá pela interação entre o sujeito e o objeto, o aprendizado acontece de dentro para fora.
Para Vygotsky, teórico do desenvolvimento, a aprendizagem ocorre, grande parte, por meio da interação com o meio, ou seja, de fora para dentro, internalização. A questão é que, independentemente de qualquer teoria, o meio, a internalização, interação em certa época de nossa vida parece não mais fazer qualquer efeito. E isso é triste e desanimador. O que resta é uma fagulha de esperança de que o tempo pode dar conta de tudo. A princípio o que pareciam simples movimentos compassados, dois para baixo, dois para cima e um para baixo e num passe de mágica, ou dedos a melodia eclodiria.
Bem fosse tão simples. Mas, realmente, não o é. Além dos movimentos que podem até ser tornar mecânicos, agrega-se o compasso, ritmo, tempo ( 1e, 2e ... contagem rítmica). A mente até que obedece às comandas, no entanto, as mãos insistem em movimentarem-se pausadamente, e a melodia tão esperada se perde nesse descompasso. Dizem que querer é poder. Será? Insistir, persistir e conseguir. Pelo visto, conseguir uma dor na coluna, dedos doloridos, desânimo, descrença. Seis cordas, apenas seis cordas, capazes de dar um nó sem fim, ou um dó. Uma nota aqui, uma nota acolá e a melodia, doce melodia nem pensa em se achegar. Não sei se dou uma nota dó um dó para minha falta de habilidade. Nessa jornada, o si bemol está dando um ré para a desenvoltura, entre altos e baixos o único sentimento que perdura é a inconformidade de não conseguir tocar. Mas como acredito que a fé remove montanhas, continuo na empreitada para ver o concerto surgir.
Crescida em um ambiente, no qual, só se ouvia músicas orquestradas de boa qualidade, o primor dos tenores e barítonos. Musicais com Frank Sinatra, Gene Kelly, Betty Garret, Shirley MacLaine, Elvis Presley. Quanta harmonia, cadência, tonalidade. Seja qual for a teoria do desenvolvimento cognitivo, creio que sou uma exceção. Com tantos pré-requisitos ambientais, falta-me a agilidade. Mas como todo brasileiro que não desiste nunca, nutro a esperança de um dia fazer meus arranjos, baladas e arpejos. Insistir, persistir e conseguir, de fato.