Da Redação
A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta terça-feira (25), a segunda etapa da "Operação Glasnost", que combate a exploração sexual de crianças e o compartilhamento de pornografia infantil na internet. Cerca de 350 policiais cumpriram 72 mandados de busca e apreensão, três mandados de prisão preventiva e dois mandados de condução coercitiva em 51 cidades dos Estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Ceará, Pernambuco, Bahia, Maranhão, Piauí, Pará e Sergipe. As ações da PF tiveram início em novembro de 2013. À época, foram cumpridos 80 mandados de busca e prisão, quando outras 30 pessoas foram presas em flagrante, em posse de material de pornografia infantil. Também foram resgatadas vítimas com idades entre 5 e 9 anos.
AS PRISÕES DE ONTEM
A PF prendeu nesta terça 27 pessoas em flagrante e três preventivamente. No Paraná, foram presas 4 pessoas, uma em flagrante em Curitiba e três em Maringá. Também foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão. Segundo o delegado Flávio Augusto Palma, entre os detidos estão pais que abusavam das próprias filhas, professores, médicos, um homem de 80 anos e funcionários de altos cargos em órgãos públicos, entre outros. “Não existe um perfil de abusador, e registramos uma situação inusitada. Uma mulher foi presa por abuso sexual de crianças: o detalhe é que toda a família praticava atos sexuais entre todos. Familiares e conhecidos estão presos", afirmou.
Além de brasileiros, foram identificados americanos, franceses e russos, sendo que as informações foram encaminhadas para as autoridades de cada uma dessas localidades. Durante monitoramento das investigações, policiais descobriram casos de abuso em tempo real. A informação foi repassada aos responsáveis e nove dos acusados foram presos, ainda no final de 2014. “Praticamente todos os envolvidos praticaram crime de compartilhamento de pornografia infantil. O fato de armazenar imagens já configura crime. Também tem abuso de vulnerável, produção de pornografia", explicou o delegado. Todos esses crimes foram comprovados pela PF.
O crime com pena mais branda é a posse de pornografia, 4 anos, cabendo fiança. Abuso é crime hediondo e não costuma ser afiançável, segundo a PF. A investigação é concentrada em Curitiba, mas os mandados de prisão foram autorizados pelos juízos de cada região. Um estudante de medicina, preso em 2010, mencionou a existência do site russo de compartilhamento de pornografia.
CASOS
Em Vila Velha foi identificado um pai que abusava da filha, produziu imagens e compartilhou no site. Ele foi identificado e preso na operação. Em Jundiaí uma pessoa passava na rua fotografando crianças e chegou a cometer crimes. Ele também foi preso. Em Praia Grande, foi preso o pai que abusou da filha até os 8 anos de idade na casa da avó da menina. Ele compartilhava as imagens nas redes e afirmou que parou por medo da criança contar para as amigas. Em Bauru um porteiro tirava fotos das crianças do condomínio e tentava aliciá-las. Ele é suspeito de abuso.
A INVESTIGAÇÃO
A investigação teve como base o monitoramento de um site russo usado como “ponto de encontro” de pedófilos do mundo todo. Foram identificados centenas de usuários, brasileiros e estrangeiros, que compartilhavam pornografia infantil na internet, bem como abusadores sexuais e produtores de pornografia infantil. Também foram identificadas crianças vítimas de abuso. Os investigados produziam e armazenavam fotos e vídeos de crianças, adolescentes e até mesmo de bebês com poucos meses de vida, muitos deles sendo abusados sexualmente por adultos, e as enviavam para contatos no Brasil e no exterior. Antes da deflagração da segunda fase da operação, foram cumpridas medidas urgentes nas cidades de Osasco, Jundiaí, Praia Grande e Presidente Prudente, em São Paulo; Porto Alegre, no Rio Grande do Sul; Vila Velha e Cachoeira do Itapemirim, no Espírito San
to; e Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. O objetivo era identificar casos concretos de abusos contra crianças. Em todos os casos, foram presos autores e identificadas vítimas dos abusos.
NOME DA OPERAÇÃO
O nome "Glasnost" é uma referência ao termo russo que significa transparência. A palavra foi escolhida porque a maior parte dos investigados utilizava servidores russos para a divulgação de imagens de menores na internet e para realizar contatos com outros pedófilos ao redor do mundo.

Cerca de 30 acusados foram presos: 27 em flagrante e 3 preventivamente