HISTÓRIAS DO T

A ARTE DOS GRANDES MESTRES DO PASSADO

A ARTE DOS GRANDES MESTRES DO PASSADO

Por Claudinei Cabreira

Por Claudinei Cabreira

Publicada há 8 anos

Hoje em dia, apesar de todos os progressos da ciência e da tecnologia, que de forma surpreendente transformaram o mundo para melhor sob vários aspectos, e por consequência, melhoraram e facilitaram também em muito a nossa vida, é comum ouvir pessoas reclamando de dificuldades de tudo quanto é coisa, arrumando mil e uma desculpas para executar esta ou aquela tarefa. Posso até estar enganado, ou sendo injusto, mas continuo achando que hoje, o povo está mal acostumado, fazendo corpo mole e chorando de barriga cheia.


Quer ver um exemplo bem simples? Dia desses estava observando o madeiramento de uma casa em construção na minha rua. Hoje as vigotas e ripas chegam na obra praticamente prontas e laminadas. Mesmo assim, vi um dos carpinteiros serrar algumas vigotas e ripas, enquanto o outro cortava telhas e depois um ajudante fazia furos para colocar os parafusos nas peças principais. Tudo muito fácil e prático, graças algumas maravilhas da tecnologia como uma boa serra e uma furadeira elétrica.


E isso me fez lembrar a dureza que era esse trabalho antigamente. Nos anos sessenta as vigotas e ripas já vinham prontas da serraria. Mas era preciso ter muito tutano e braço bom, para serrar o madeiramento com o antigo “traçador”, fazer o acabamento no serrote e depois laminar a madeira na plaina. Os furos para os grandes pregos ou parafusos eram feitos com o lendário “arco de pua”. Acho que foi daí que surgiu a famosa expressão, “senta a pua!”!


Imagine por exemplo, o tamanho da mão de obra e os enormes desafios dos grandes mestres da carpintaria para construção de grandes telhados, como os dos prédios da nossa Igreja Matriz, onde não há um pingo de argamassa e todas as peças da grande obra, inclusive o madeiramento de sua cúpula, foi planejado para se assentar em encaixes, como mostram as fotos da metade da década de cinquenta. Outros dois bons exemplos foram a construção e o madeiramento dos Cines Fernandópolis e Santa Rita, que além de imensos, não tinham pilares de sustentação no meio dos prédios. Era tudo muito bem calculado e montado na base dos encaixes, usando –se um mínimo de pregos e parafusos. Era preciso talento de grande mestre artesão, matemática de engenheiro especialista e muito “muque” no braço.


Na construção civil, então, nem se fale, tamanhas as dificuldades enfrentadas pelos pedreiros e serventes daqueles tempos bicudos. Hoje, com todas as ferramentas e máquinas disponíveis no mercado até para locação, se este trabalho ainda é duro e penoso, imagine então, como era antigamente. Tudo era muito mais difícil e complicado, a começar pela fabricação dos tijolos nas antigas olarias e as telhas nas cerâmicas. Era tudo artesanal. No braço mesmo!


Hoje para misturar cimento, cal e areia, existem possantes máquinas elétricas apropriadas. Ou então o concreto já chega pronto nas obras em grandes caminhões betoneiras. É só despejar e esperar pela secagem. Antigamente era tudo feito na base do improviso, da criatividade e da força bruta, misturando os ingredientes de assentamento ou o reboco de forma manual com o uso de pás e enxadas. Os antigos andaimes que eram de madeira, hoje são muito mais seguros e resistentes, de ferragem pré-montada, bem mais fácil para montar, desmontar ou mudar de um lugar para outro.


Hoje o trabalhador da construção civil, seja ele o pedreiro, o servente, o carpinteiro, o azulejista, o eletricista, o encanador ou o pintor, contam com muito mais segurança e praticidade para realizarem suas tarefas. Tanto que hoje existe no mercado uma enorme gama de artigos de segurança como óculos, luvas de proteção, botas e capacetes, além de enorme variedade de ferramentas, até elevadores para levar o material para o alto, que além de muito mais seguro, facilita a execução dos trabalhos. Antigamente, amigo, era o velho chapéu de palha, enxada, enxadão, picareta, pá, serrote, traçador, serra manual, plaina, arco de pua, corda, caçamba e as mãos cheias de calos. Viu como tudo na nossa vida melhorou, como tudo ficou mais seguro, menos cansativo e bem mais prático? Semana que vem tem mais. Até lá.




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