Dom Reginaldo A

CLAMOR DOS EXCLUÍDOS

CLAMOR DOS EXCLUÍDOS

Dom Reginaldo Andrietta - Bispo Diocesano

Dom Reginaldo Andrietta - Bispo Diocesano

Publicada há 8 anos

“Eu estava com fome, e vocêsme deram de comer; eu estava com sede, e me deram de beber; eu era estrangeiro,e me receberam em sua casa; eu estava sem roupa, e me vestiram; eu estava doente,e cuidaram de mim; eu estava na prisão, e me visitaram” (Mt 25,31-46). Nestetrecho do Evangelho sobre o juízo final, Jesus apresenta a compaixão e asolidariedade como critérios fundamentais para sermos partícipes do seu Reino,ou seja, da plenitude da vida.

 

A fé cristã tem, portanto,sentido; além de traduzir-se em ações solidárias, ilumina nossa convivênciasocial, inspirando-nos a superar exclusões. A Igreja incorpora, portanto, emsua missão, a responsabilidade de ajudar os setores excluídos da sociedade aexpressarem seus clamores. Por isso, criou e continua incentivando o “Grito dosExcluídos”, uma manifestação popular que se realiza todos os anos no dia 7 desetembro, em contraposição ao Grito da Independência do Brasil, falsamentecelebrada.

 

Hoje, nossa nação estásubmissa a novas formas de dependência e exploração. Grandes corporaçõeseconômicas, sobretudo internacionais, interferem em nossa vida política, corrompendogestores públicos para conseguirem medidas governamentais que lhes permitemexpropriar nossos recursos. Essa elite econômica e política sustenta umademocracia de fachada, pois lesa a classe trabalhadora, negando-lhe direitos, oque justifica o lema do “Grito dos Excluídos” deste ano: “Por direitos edemocracia, a luta é todo dia”.

 

A Conferência Nacional dosBispos do Brasil (CNBB), pronunciou-se, por meio de sua presidência, a respeitodo “Grito dos Excluídos”, no último dia 31 de agosto, dizendo que ele “nasceucom o objetivo de responder aos desafios levantados por ocasião da 2ª SemanaSocial Brasileira, realizada em 1994”, e aprofundar a temática da exclusãosocial tratada pela Campanha da Fraternidade em 1995. 

 

Segundo a CNBB, “o Grito,realizado no dia 7 de setembro, com suas várias modalidades, é construído com aparticipação das comunidades cristãs, movimentos, pastorais sociais eorganizações da sociedade civil”. Para a Igreja, “a sociedade brasileira estácada vez mais perplexa, diante da profunda crise ética que tem levado adecisões políticas e econômicas que, tomadas sem a participação da sociedade,implicam em perda de direitos, agravam situações de exclusão e penalizam o povobrasileiro pobre”.

 

A CNBB, “diante do grave eprolongado momento triste vivido no país”, além de incentivar o “Jejum e aOração pelo Brasil”, encoraja mais uma vez, as pessoas de boa vontade,particularmente em nossas comunidades, a se mobilizarem pacificamente na defesada dignidade e dos direitos do povo brasileiro, propondo “a vida em primeirolugar”, suplicando finalmente a intercessão de Nossa Senhora Aparecida. 

 

O próprio Santuário Nacionalde Aparecida incorporou o “Grito dos Excluídos” em sua programação anual, acolhendoconcomitantemente essa manifestação e a Romaria dos Trabalhadores, nas quais umamultidão de todo o Brasil, congregada também em uma celebração eucarística, expressaseus clamores a Deus diante de sua realidade sofrida e assume compromissos paratransformá-la. 

 

Que este “Grito” continue seespalhando pelo Brasil, pelo continente e pelo mundo, contando com o louvávelincentivo da Igreja, especialmente do Papa Francisco, defensor de importantesreivindicações da classe trabalhadora, exemplo de compaixão e solidariedade.

 

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