Jacqueline Ruiz

Nem tão belas, nem recatadas e tampouco do lar!

Nem tão belas, nem recatadas e tampouco do lar!

Por JACQUELINE RUIZ PAGGIORO

Por JACQUELINE RUIZ PAGGIORO

Publicada há 9 anos


A reportagem da Veja sobre a quase primeira-dama, Marcela mulher de Temer, intitulada “Bela, recatada e do lar” é a cereja do bolo do imbróglio de nosso atual cenário político. As questões que me fazem refletir sobre a tal reportagem não são sobre os “porquês” da bela, recatada e do lar escolher para si esses adjetivos; afinal, se somos o resultado de nossas escolhas, dona Marcela que se resolva com suas opções. 


Conheço algumas pessoas – homens e mulheres – que conseguiram se livrar da angustia por optarem por cuidar do lar. O momento político é que torna propício o aparecimento de um “símbolo”, antítese a ser superada. 


Uma presidenta, sem um primeiro-homem, que esmurra a mesa e está à beira de um ataque de nervos (segundo as imagens da mesma mídia) precisa ter um contraponto à altura e não me parece que seu alegórico vice tenha as características para suplantá-la. 


É necessário inflar-lhe a aura (e o ego) com outros atributos, portanto, convocam a bela estampa de sua esposa. Será que a fórmula pode dar certo?  num momento em que os ditos “representantes” do povo, na chamada casa do povo, clamam por Deus, pela tradição, pela ética, pela probidade e até por seus diversos familiares – inclusive com exaltação ao torturador de Dilma –, só posso chegar à conclusão que estamos diante do retrocesso. 


Temo pelo porvir. Minha esperança é que temos muitos outros “símbolos” com apelo mais forte que o fabricado pela mídia. E que ninguém jamais vai sepultar: Joanas, Rosas, Olgas, Simones, Fridas, Patrícias, Ângelas, Dandaras, Chiquinhas, Marias.... 


Elas transgrediram, ousaram e nos deixaram muito mais que imagens e símbolos. Elas são o signo que nos dão voz e vez!



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