ESPERANÇAS REN
Fernandopolenses oferecem ceia de Ano Novo para moradores de rua
Fernandopolenses oferecem ceia de Ano Novo para moradores de rua
Pelo segundo ano consecutivo grupo local objetivou amenizar a “situação triste” de cada desabrigado, proporcionando atenção, carinho, alimentos e roupas
Pelo segundo ano consecutivo grupo local objetivou amenizar a “situação triste” de cada desabrigado, proporcionando atenção, carinho, alimentos e roupas
Breno Guarnieri
No frio da noite, a vida é ainda mais dura para os moradores de rua. A noite cai, a fome aperta e o vento machuca. Uma garrafa de aguardente, um maço de cigarros e uma estrutura mais confortável. São desejos simples que compõem o imaginário dessas pessoas.
Com o objetivo de ceder ajuda material e “calor humano”, voluntários de Fernandópolis resolveram, pelo segundo ano consecutivo, ajudar moradores de rua que passam necessidades diariamente. Unindo pessoas de diversas classes sociais e profissões, o grupo denominado “Ronda do Bem” auxiliou, na noite do dia 1º, não apenas as necessidades físicas, mas também conversou e ouviu a história de vida de cada uma das pessoas em situação de rua.
QUASE CINCO ANOS
A solidão não é novidade para José Aparecido Marques. São quase cinco anos nas ruas de Fernandópolis. “Minha família nunca me procurou, porque não concorda com as minhas atitudes. Então, também nunca procurei por eles”, afirmou. José Aparecido, aos 57 anos, diz ter enfrentado muitas humilhações, que apenas serviram para calejá-lo. “Não tenho do que reclamar, todo dia vem alguém e nos deixa comida”, acrescentou.
Apesar da aparente resignação, José Aparecido se permite imaginar a possibilidade de sair da situação em que se encontra há tantos anos, e espera talvez conseguir em 2018 um lugar para morar. José Aparecido foi um dos poucos de seu grupo receptivo à proposta de conceder uma entrevista. O grupo, que fica em vários lugares de Fernandópolis, em especial na Praça da Aparecida e no antigo Tênis Clube, até brinca – já que o colega “ficaria famoso” – mas se dispersa rapidamente diante da mínima possibilidade de ter de revelar detalhes pessoais.
“A MINHA MANEIRA”
Em contato com Nivaldo Mendes da Silva, 42 anos, outro morador de rua, que também recebeu atenção dos voluntários, na noite do dia 1º, a Reportagem foi surpreendida pela sinceridade em relação as suas declarações. “Preferi viver a vida da minha maneira, mas levei alguns ‘baldes de água fria na cabeça’ e me arrependo de muitas atitudes que tive, principalmente, com a minha família”, destacou. Há oito anos sem um lar, Nivaldo nutre esperanças mais concretas de retornar para sua casa, que fica em Juiz de Fora/MG. O motivo que o “segura” na situação em que se encontra é o mesmo do seu companheiro José Aparecido: o vício em álcool.
CEIA DE ANO NOVO
Mesmo desabrigados, Nivaldo e José Aparecido juntamente com outros moradores de rua puderam contar com a ceia de Ano Novo. Paulo Almeida, 30 anos, responsável pelo grupo, contou que a ideia surgiu depois dele se deparar com a situação precária a que essa população é exposta.
“Em Fernandópolis, não há muitos moradores de rua, ainda bem, mas os poucos que existem, buscamos ajudar. Acredito que eles (moradores de rua) sofrem mais durante as festas de final de ano, em razão da solidão. Por isso, nós buscamos amenizar a situação de cada um”, finalizou.

Morador de rua recebe alimentos e um livro do grupo fernandopolense durante a ceia do Ano Novo