Não acredites em facilidades.
Muitas aflições nos fustigam o espírito, diante de nossos próprios caprichos desatendidos.
Não aguardes dinheiro farto ou mesmo excessivo para que te sintas feliz.
Agradece aos Céus a possibilidade de trabalhar, porquanto o trabalho te garantirá a subsistência e a subsistência daqueles corações que se te fazem queridos.
Não esperes a felicidade para que possas realizar os próprios desejos.
A saciedade talvez seja a véspera da penúria, a cujas provações possivelmente não conseguirás resistir.
Não creias que uma personalidade humana, colocada nos píncaros do poder, disponha de recursos para solucionar todos os problemas que te enxameiam a existência.
É provável que essa pessoa, merecidamente importante, esteja carregando um fardo de tribulações mais pesado do que o teu.
Se pretendes viver fora das inquietações do cotidiano, não exijas dos outros aquilo que os outros ainda não possuem para dar.
Se queres viver nas alegrias da consciência tranquila, auxilia ao próximo o quanto puderes, trabalha sempre e confia em Deus.
Francisco Cândido Xavier
Livro “Hora Certa”
CRÔNICA: A borboleta azul
Havia um viúvo que morava num vilarejo com suas duas filhas, belas, curiosas e inteligentes. Elas sempre faziam muitas perguntas ao pai. Eram curiosas.
Devido a sua vida precária, algumas ele sabia responder, outras não.
Como pretendia oferecer a elas a melhor educação, mandou-as passarem férias com um sábio que morava nas proximidades, no alto de uma colina.
O sábio era muito conhecido e sempre respondia todas as perguntas sem hesitar.
Impacientes com os conhecimentos do mestre, as meninas resolveram inventar uma pergunta que ele não saberia responder.
Arquetetaram um plano. Então uma delas apareceu com uma linda borboleta azul que usaria para pregar uma peça no sábio.
– O que você vamos fazer? – perguntou a irmã menor?
– Vou esconder a borboleta em minhas mãos e indagar se ela está viva ou morta.
Se ele disser que ela está morta, vou abrir minhas mãos e deixá-la voar. Se ele disser que ela está viva, vou apertá-la e esmagá-la. Assim qualquer resposta que o sábio nos der estará errada!
As duas meninas foram então ao encontro do sábio, que estava meditando.
– Tenho aqui uma borboleta azul. Diga-me sábio, ela está viva ou morta?
Calmamente o sábio sorriu e respondeu:
– Depende de você. Ela está em suas mãos.
E ambas saíram caladas e iluminadas pela maior lição de suas vidas.
E assim o é!
Nas nossas vidas também! Nosso futuro e nosso presente estão em nossas mãos. O passado já foi e não torna.
A ninguém devemos culpar por nossas conquistas ou perdas. Nossa vida está em nossas mãos, como a borboleta.
Cabe a nós escolher o que fazer com ela.
Autoria desconhecida.