José Renato To

Ser ou Não Ser

Ser ou Não Ser

Por José Renato Sessino Toledo Barbosa

Por José Renato Sessino Toledo Barbosa

Publicada há 9 anos


Dia vinte e três do mês de Abril completaram-se quatrocentos anos que nos deixou um dos maiores gênios da dramaturgia e literatura: Willian Shakespeare.

Autor cujo renome mundial definitivo somente ocorreu na era vitoriana (séc. XIX), todavia, já usufruía de respeito à sua época.


O Bardo – como é conhecido – é um dos raros gênios cuja capacidade de “ler a alma humana”, direta e indiretamente, legou essa herança para Dostoievski, Nietzsche, Fernando Pessoa, Camus, Kafka e Nelson Rodrigues. Conseguiu apresentar o humano em estado bruto, com sua pequenez, grandeza, mesquinhez e alteridade.


Recuperou as tragédias, tal qual as penas de Sófocles, Ésquilo e Eurípides, sem nada a dever aos gregos clássicos. O humano sempre como centro de gravitação de seus dramas.


Com ele, a questão do poder ganha uma dimensão muito além do meramente político. Comprova que esse permeia o humano, dirigindo-o para suas mesquinharias e grandezas.


O homem shakespeariano é humano, em toda sua vileza e virtude. Não são “príncipes”, como diria outro gênio lusitano.


MacBeth é um tratado de política contemporâneo, na medida em que desvela o homem com suas incertezas, inseguranças, caráter e falta desse. Luta pelo poder, para acima de tudo, satisfazer interesses e desejos pessoais.


Com Shakespeare, o ciúme ganha cores nunca vistas. Reais e humanas, as quais descortinam os traumas cujo cerne somente será lido em definitivo – a meu ver – pelo velho Freud. Sim, Freud, o pai da psicanálise, talvez tenha sido o maior “crítico literário” do Bardo, na medida em que sua seara é concomitante com as preocupações do britânico.


A obra Romeu e Julieta reproduz em tons e texturas as tragédias gregas. Há o amor no sentido pleno, cantado por Camões, por exemplo, cujo corolário é a impossibilidade de execução por ser ideal. Todavia, o trágico se faz presente: a dor da perda do jovem casal trará a alegria posterior, na medida em que reúne pacificamente Montecchios e Capuletos. 


Esse é o princípio da tragédia: uma dor somente é verdadeira quando antes houve alegria. Uma alegria é legítima se antes ocorrera à dor. É a oposição dos sentimentos. O vi-a-ser de Heráclito.


Banalizado por frases pinçadas de sua riquíssima obra, sofre com os males do senso comum e até mesmo de adaptações ridículas levadas ao cinema. Absolvo Lawrence Olivier, como ator e produtor que possivelmente tenha sido o único a verdadeiramente sentir e compreender sua obra, no sentido de transpô-la para a película.


O título é propositalmente óbvio em virtude de uma questão elementar: ser ou não - se a formação assim o permitir - encantado pelo Bardo?





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