Carlos Eduardo

O último encontro

O último encontro

Por Carlos Eduardo Maia de Oliveira - Professor e Biólogo

Por Carlos Eduardo Maia de Oliveira - Professor e Biólogo

Publicada há 7 anos

                “Em seu último dia de vida, a pessoa que você se tornou se encontrará com a pessoa que você poderia ter se tornado”.

                Ao final de nossas curtas vidas, será que haverá uma grande diferença entre essas duas pessoas?

                Ocorrerá uma discrepância considerável do filho que nos tornamos para aquele que poderíamos ser?

                Do pai ou mãe que fomos para os que deveríamos ser?

                Do cônjuge que aparentamos ser para o que o nosso companheiro ou companheira merecia conviver?

                Quantas das nossas atitudes ajudaram e quantas atrapalharam os nossos semelhantes?

                Quanto à honestidade no dia a dia, ao perdê-la, nossa consciência continuou leve como a pluma ou ficou pesada como o chumbo?

                Qual foi o nosso verdadeiro sentido de riqueza: material ou espiritual?

                Ao nos conscientizarmos das misérias dessa vida, fizemos algo de concreto para diminuí-las? Estendemos as mãos ao nosso irmão que sofria nesse mundo? Ou simplesmente o ignoramos por julgarmos não ser nossa responsabilidade?

                A proteção de uma vida confortável pode diminuir a nossa sensibilidade social, no entanto, a fragilidade que sentiremos ao perceber a proximidade do último suspiro, certamente amolecerá qualquer rigidez de coração, removerá a venda dos olhos e eliminará a cera grossa que oblitera os ouvidos.

                Nesse momento, teremos a noção exata que poderíamos chegar mais longe. Que poderíamos ter nos tornado pessoas melhores.

                Quando crianças, revestidos de uma pureza de coração e leveza de alma, aproximamo-nos muito do ser humano exemplar. Mas à medida que nos tornamos adultos... Afinal de contas, em que momento da vida perdemos essa pureza? É a sua falta que nos distancia daquela pessoa que poderíamos ser.

                No último encontro, quem determinará a diferença entre essas duas pessoas não será apenas a nossa consciência, mas também as nossas ações.




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