CURVA DO RIO

A véia não avisou

A véia não avisou

Por Chico Piranha

Por Chico Piranha

Publicada há 7 anos


Conta o compadre Geraldo de Mello, que um vizinho de fazenda, sujeito endinheirado que mora em Rio Preto, dia desses estava no maior ronco, quando tocou o telefone lá pelas tantas da madrugada:


          - DotôVardemá, aqui é o Jesuino, o capataz da sua fazenda, aqui de Tabuado!


          - Uma hora dessas? O que houve Jesuino, aconteceu alguma coisa grave por aí?


          - Nada não, dotô! Eu só queria avisá que o seu papagaio de istimação morreu!


          - O meu papagaio de estimação? O louro que canta o hino do meu São Paulo?


          - Sim, esse memo, dotô!


          - Puxa vida, que pena! Demorou um tempão prá ele aprender cantar o hino do meu tricolor... mas, Jesuino, do que é que foi que ele morreu?


          - Comeu carne istragada!


          - Carne estragada? Mas quem foi que deu carne estragada para ele?


          - Ninguém... ele comeu de um dos cavalos aqui da fazenda, que tava morto...


          - Cavalos mortos? Que cavalos?


          - Daqueles seus cavalo puro-sangue! Eles morreu de tanto cansaço, puxando a carroça cheia de latão de água...


          - Puxando a carroça dágua? Que água, homem de Deus?


       - Tivemo que usáos bicho prácarrega água pra apagar o fogaréu!


          - Fogaréu? O que é que foi que pegou fogo, onde foi que pegou fogo?


          - La na sua casa da sede... uma vela acesa caiu na cortina e aí virou um fogaréu...


          - Vela na cortina? Mas quem foi o jerico que acendeu uma vela na casa da sede, se lá sempre teve eletricidade?


          - Foi uma das vela do velório!


          - Velório??? Velório de quem, homem de Deus???


          - É... o velório da senhora sua mãe, dotô... Tadinha, ela chegou lá na fazenda de madrugada sem avisá, e aí eu dei um tirinho na véia, pensando que era um ladrão!




últimas