
Conta o compadre Geraldo de Mello, que um vizinho de fazenda, sujeito endinheirado que mora em Rio Preto, dia desses estava no maior ronco, quando tocou o telefone lá pelas tantas da madrugada:
- DotôVardemá, aqui é o Jesuino, o capataz da sua fazenda, aqui de Tabuado!
- Uma hora dessas? O que houve Jesuino, aconteceu alguma coisa grave por aí?
- Nada não, dotô! Eu só queria avisá que o seu papagaio de istimação morreu!
- O meu papagaio de estimação? O louro que canta o hino do meu São Paulo?
- Sim, esse memo, dotô!
- Puxa vida, que pena! Demorou um tempão prá ele aprender cantar o hino do meu tricolor... mas, Jesuino, do que é que foi que ele morreu?
- Comeu carne istragada!
- Carne estragada? Mas quem foi que deu carne estragada para ele?
- Ninguém... ele comeu de um dos cavalos aqui da fazenda, que tava morto...
- Cavalos mortos? Que cavalos?
- Daqueles seus cavalo puro-sangue! Eles morreu de tanto cansaço, puxando a carroça cheia de latão de água...
- Puxando a carroça dágua? Que água, homem de Deus?
- Tivemo que usáos bicho prácarrega água pra apagar o fogaréu!
- Fogaréu? O que é que foi que pegou fogo, onde foi que pegou fogo?
- La na sua casa da sede... uma vela acesa caiu na cortina e aí virou um fogaréu...
- Vela na cortina? Mas quem foi o jerico que acendeu uma vela na casa da sede, se lá sempre teve eletricidade?
- Foi uma das vela do velório!
- Velório??? Velório de quem, homem de Deus???
- É... o velório da senhora sua mãe, dotô... Tadinha, ela chegou lá na fazenda de madrugada sem avisá, e aí eu dei um tirinho na véia, pensando que era um ladrão!