HISTÓRIAS DO T

Quando a vida 'era uma brasa, mora'!

Quando a vida 'era uma brasa, mora'!

Publicada há 7 anos


Um dos mais famosos pontos de encontro da juventude fernandopolense dos anos sessenta, era a loja Radiolar Discos, de Dionísio Rossi, que ficava na rua São Paulo, bem defronte o Bar São Pedro. Ali era parada obrigatória da moçada, sempre em ávida busca pelos últimos lançamentos das músicas da Jovem Guarda. Eram os tempos dos discos de vinil, os famosos longplays, também conhecidos como Lps, ou ainda, que eram chamados de grandes bolachas e havia também os compactos duplos e simples,que eram de 45 e 33 rotações.

Explicar isso para a moçadinha de hoje em dia, é mais do que complicado. Até porque eles não têm a menor ideia do que eram as radiolas, radio-vitrolas ou as famosas “sonatas portáteis” que a gente levava de um lado para outro, e eram usadas para tocar nossos discos nas brincadeiras dançantes de finais de semana. Aqueles tempos eram “uma brasa, mora!”

Mas a Jovem Guarda não foi só música, foi um movimento que mesclou música, moda e o comportamento de uma geração inteira. O começo dessa revolução cultural, começou por volta de 1963, quando um rapaz chamado Roberto Carlos, começou lançar um sucesso atrás do outro. “Splish, splash”, foi o primeiro deles. Logo depois surgiu ”Parei na contramão” e o grande estouro foi “O Calhambeque”.

No final de 1965, junto com seu parceiro e irmão de fé e camarada, Erasmo Carlos e uma loirinha chamada Vandeléia, começaram um programa de auditório nas tardes de domingo na TV Record. Erasmo Carlos começou a carreira solo com “Minha fama de mau”, depois aconteceu ’Festa de arromba” e o grande sucesso foi “Tremendão’, que acabou se tornando o apelido que o cantor carrega até hoje. A meiga loirinha Vanderleia logo ganhou o apelido de “Ternurinha” e me lembro bem de duas musicas que marcaram sua carreira; ”Pare o casamento” e a agitada, “Prova de fogo”. Vandéca era romântica e ao mesmo tempo vibrante!

Na verdade, a gente não chegou a ver esses programas na TV, porque naquele tempo os sinais de televisão ainda não haviam chegado aqui em Fernandópolis. Mas o pessoal ficava por dentro de tudo, ouvindo as emissoras de rádio ou lendo as revistas da época, como a Intervalo, Contigo, Sétimo Céu, Fatos & Fotos, Manchete, O Cruzeiro, 7 dias na TV, Amiga, Ilusão, Querida, Romance Moderno e Grande Hotel. E todo mundo lia mesmo. Nesse tempo, as meninas adoravam as revistas de fotonovelas, mas isso é outra história.

A partir daí, com a expansão das redes de TV, os programas de auditório viraram uma febre nacional. Auditórios sempre cheios e sucessivos recordes de audiência, acabou despertando o interesse e influenciando as emissoras de rádio e as publicações para este novo filão, o fenômeno da Jovem Guarda. Assim, o movimento cresceu e começaram surgir inúmeros artistas do gênero, que fizeram grande sucesso na época.

Logo, Roberto Carlos ganhou o apelido de “Rei”, e logo depois Ronnie Von, com seus cabelos lisos e escorridos, caídos na testa, acabou ganhando o apelido de “Príncipe”, cantando os sucessos “A Praça” e “Meu bem”. A pequenina Martinha,ficou conhecida como a “Garota do Roberto”; Vanderlei Cardoso, com seus cabelos encaracolados, virou o “Bom Rapaz”. O maluco Eduardo Araujo, era “O Bom” e um de seus sucessos, “Goiabão”, acabou virando gíria. E acredite se quiser, o grandão Sérgio Reis, se notabilizou na Jovem Guarda com a melosa canção “Coração de Papel” e algum tempo depois, regravou “Menino da Porteira”, e daí foi de mala e cuia para a música sertaneja, onde permanece até hoje.

A loiríssima Vanusa, estourou com “Manhãs de Setembro” e Antônio Marcos, então seu futuro marido, fez sucesso com “Eu queria falar com Deus” e depois, “O homem de Nazaré”. Por outro lado, Jerry Adriani ganhou fama com “Querida” e Silvio César, com “As flores que te dei”. Também fizeram sucesso Nalva Aguiar, Joelma, Paulo Sérgio, Demetrius, Leno & Lilian, Dino &Deno, Don & Ravel, Marcio Greick, Diana, Sérgio Murilo, Rosemary, Os Vips, Giane e Valdirene, entre tantos outros. E haviam ainda as grandes bandas e conjuntos, como Os Incríveis, Renato e seus Blue Caps, Golden Boys, The Jordans, Os Mutantes, Novos Baianos, The Fivers, e por último os Pholhas.

Agora... o que teve de gente que fez sucesso com um ou dois discos e tomou chá de sumiço, não está no gibi. Será que você ainda se lembra de Bobby di Carlo, Dori Edson, Ed Carlos, Ed Wilson, Ed Lincoln, Reynaldo Rayol, Claudio Fontana, Djalma Lúcio, João Só, Taiguara, José Roberto, Marcos Roberto, Pedro Paulo, Jeam Carlos, Roberto Livi, Arthurzinho e Dircilene? Então...

Enquanto isso, por aqui, naquela época a gente tinha duas belas bandas: The Black Falcons (foto de 1965) e The Hells. E além do músico Filó, que fez sucesso em carreira solo em Sampa, teve também o Nicoletique era baterista e crooner do The Hells. Um dia em 69, Nicoleti partiu para a carreira solo, gravando um compacto simples pela gravadora Lake, com a música “Minha vida é você”, lançado numa noite de gala no antigo Fec, lembra? Aqueles sim, eram tempos agitados e maravilhosos em todos os sentidos, claro. Um dia eu continuo essa história. Semana que vem tem mais. Até lá.



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