HISTÓRIAS DO T

AH, OS PARQUES DE ANTIGAMENTE!

AH, OS PARQUES DE ANTIGAMENTE!

Por Claudinei Cabreira

Por Claudinei Cabreira

Publicada há 7 anos


Dia desses conversando com o meu amigo Wilson Granella, nos lembramos de algumas divertidas histórias do velhos e bons tempos da nossa mocidade. Falamos dos velhos circos mambembes, que de quando em quando aportavam para uma temporada na cidade. Também nos lembramos das famosas “Sessões do Rapa’ que aconteciam sempre nas noites de quarta-feira, no antigo Cine Fernandópolis. O preço do ingresso caia pela metade e a casa entupia de gente. Grandes tempos aqueles.

Mas será que você ainda se lembra dos antigos Parques de Diversões?  Então, da mesma forma como os circos do “Faísca” ou do “Lambarí”, os parques também faziam suas temporadas na cidade. Era a alegria da criançada e da juventude daqueles anos dourados. Quando o parque “chegava” a cidade parece que ganhava outra movimentação!

Puxando pela memória, lembro-me que quando ainda era menino, as primeiras lembranças que tenho dos parques de diversões, ainda estão bem nítidas. Naqueles tempos, por volta do começo dos anos sessenta,os parques costumavam se instalar num grande terreno que ficava entre as ruas Rio Grande do Sul e a rua Bahia, com entrada pela antiga Avenida da Estação, que naquele tempo era de terra batida, com um imenso canteiro central cheio de flamboyants.  Esse terreno ficava atrás do prédio onde hoje funciona a Imobiliária Residência, do nosso amigo Sinval Ribeiro.

Outro ponto onde eles costumavam se instalar, era ao lado da antiga Sorveteria do Gordo, nafamosa Avenida da Brasilândia (hoje Líbero de Almeida Silvares), mas que também era de terra batida com seus imensos e intermináveis areais. Esse mesmo terreno, também era ocupado pelos circos. E por fim, lá pela metade dos anos sessenta, os parques e os circos se instalavam ao lado da Rodoviária Nova (hoje Mercado Municipal), no imenso terreno que havia na esquina da rua Rio de Janeiro com a antiga Avenida Dois, onde hoje está instalada a Casa de Carnes Big Master, o Paulinho Sorvetes e a loja de Tintas Nova Onda.

 Nas tardes de domingo, para a alegria da criançada, o programa preferido das famílias, era passear e passar a tarde nos parques de diversões. Lembro que meus pais levavam até meus irmãos menores, ainda de colo. E a gente se contentava com uma volta nos cavalinhos do carrossel, um chumaço de algodão doce colorido, um pirulito e as sodinhas limonada que meu pai conseguia laçar na barraca das argolas. A meninada daqueles tempos se contentava com pouca coisa. Não tinha esse negócio de fazer birra, não.

Mais tarde, já na adolescência, a gente continuava freqüentando os parques, mas com os amigos da nossa rua ou do nosso timinho de futebol. Aí a diversão era voar nas cadeirinhas no Dangler, e quanto mais alto e mais veloz, melhor. Lembro que eu tinha um amigo que sempre dizia, que se aquela corrente quebrasse, a gente entraria em órbita e ia ficar dando voltas na Terra, igual os astronautas russos e americanos. Ele era meio cismado com a segurança dos parques, e por conta de sua mania, vivia levantando hipóteses, do tipo, “já pensou se um dia a roda gigante disparar?”

Ele não deixava de ter razão. Os parques tinham estruturas muito simples, brinquedos velhos, essas coisas que deixam qualquer um meio que cismado. Mas que eu me lembre, nunca vi e nem me lembrode ouvir falar de um acidente num parque de diversões daqueles tempos. De vez em quando a “roda gigante” dava uma empacava e era só isso!

Nessa fase da juventude, eu gostava de praticar tiro ao alvo nas barracas dos parques, usando aquelas espingardas de pressão com chumbinhos, ou as de rolha, para derrubar maços de cigarro ou bichinhos de pelúcia e outras bugigangas que eles colocavam nos tabuleiros. Pensa o quê; havia regras. Mesmo que se acertasse o alvo, só valia como prêmio, a peça que caia no pano que ficava como um aparador, abaixo da prateleira das peças alvejadas.

Mas haviam outros truques também. Prá começo de conversa, as espingardas de pressão com rolhas eram complicadas, avariadas de propósito, claro. Para acertar o alvo e ainda conseguir derrubar o prêmio, era preciso acertar na base do objeto, mas as rolhas mudavam completamente de direção e a gente sempre perdia.

Lembro que certa vez meu amigo Olívio teve a luminosa idéia de colocar tachinhas às escondidas nas rolhas; deu certo, mas também deu errado, porque o barraqueiro descobriu o nosso truque e aí não valia, claro. Mas a gente não desistia, afinal devia haver alguma maneira de trapacear com aqueles trapaceiros.

Um belo dia,por acaso, descobri com meus amigos, uma tática infalível. Bastava mirar bem no meio de dois maços de cigarros, cinco centímetros abaixo da direção da tábua onde eles estavam colocados e pimba: era tiro e queda! Para nossa alegria e desespero do barraqueiro, aquele dia nós quase quebramos a banca! Não sei o que aconteceu, mas até hoje desconfio que o sujeito avariou de novo as espingardas, mudando a regulagem, porque no dia seguinte, nossa tática que era perfeita, foi um desastre!

Mas bom mesmo era passear de mãos dadas com a namorada, dar uma volta na roda gigante ou gangorrar nos barquinhos, que alguns chamavam de canoinhas. Alguns parques também tinham o Trem Fantasma ou a Caverna dos Horrores, mas as meninas, claro, não topavam ir junto. Ir lá na barraca-trailler e ver ao vivo a transformação da linda mocinha do parque, na horripilante Monga, a  assustadora Mulher Gorila, nem sonhar. Elas gostavam sim, da Tenda da Sorte, onde sempre havia uma“cigana vidente’ de plantão, com turbante na cabeça, que fazia a leitura das linhas das mãos, e com uma bola de cristal sobre a mesa,  fazia também previsões do futuro. Mas aí a coisa mudava de figura. Aí era a gente, que caía fora!

Depois da sessão das seis no cinema e rápido giro pelo footing na praça da Matriz, sem dúvida alguma, os parques eram o melhor lugar para flertar com as mocinhas naqueles tempos maravilhosos. E haviam muitas estratégias e truques para a abordagem, sempre muito bem estudadas, seguindo por etapas. Um deles era o recado, um bilhete como um correio elegante, depois era o arriscado convite para um passeio na roda gigante e ver a cidade lá do alto. Quase sempre funcionava. Mas tinha também o oferecimento de músicas no serviço de som de alto-falantes do parque, onde a gente pagava uma taxa por cada pedido e dedicava um sucesso romântico para a “mocinha loira, dos olhos verdes, com uma blusa vermelha e saia preta, ofertada com muito amor pelo rapaz moreno claro, de camisa azul escura e calça Lee desbotada, que está ao lado da barraca de pesca”.  Simples e inocentes cantadas, mas funcionavam que era uma beleza!. Semana que vem tem mais. Até lá!

últimas