
Certa vez, há muito tempo atrás, quando ainda nem existiam as leis ambientais, andando em uma feira livre nos arrebaldes de Campo Grande, o compadre Geraldo de Mello, reparou que do lado de uma banca pequis e outras frutas silvestres, um sujeito fazia o maior fuá, anunciando aos quatro ventos a venda de seus filhotes de papagaios. Como Dona Filó sempre quis ter um bichinho desses, o compadre começou prestar atenção na prosa do camelô.
--- Fiote macho faço por 30 contos e fêmea eu deixo por 20!
Compadre se interessou e perguntou para o sujeito como ele ia saber qual era o macho, no meio daquele mundaréu de papagaios, tudo empenujando. O Camelô, interessado em fechar o negócio, disse que práele,aquilo era fichinha. E como um sargentão de quartel, com um apito na boca, gritou com a fiotada de papagaios:
--- Tropa! Em forma! Os papagaios se perfilamigualzinho a uma tropa de um batalhão. Em seguida, dá nova ordem:
--- Ordinário, marche! Um dois, um dois, um dois, feijão com arroz, esquerda, direita, volver...
E o compadre Geraldo, só assuntando o serviço do caboclo. Afinal, estava curioso pra ver como o sujeito ia descobrir qual era o fiotão macho daquela tropa. Até que depois de duas horas de ordem unida, um papagainho, bem pequititinho, com a língua de fora, suando que nem um peba, grita com o sargentão-camelô:
--- Escuta aqui, ô carrasco.... Quando é que vai acabar essa m.....
Logo depois, entregando o pequeno papagaio marrento para o compadre Geraldo, o camelô garantiu:
--- Pode levar sossegado, seodotô! Esse aí é macho!