Na semana do dia das mulheres é o momento para pensarmos nos avanços femininos obtidos nestas últimas décadas e refletirmos sobre as dificuldades em nosso cotidiano. Este dia criado especificamente para as mulheres não pretendia apenas comemorar, mas discutir o papel da mulher na sociedade atual. Muito já foi conquistado, mas ainda há muito para ser modificado nesta história.
Importante ressaltar que muitos dos direitos adquiridos foram em razão de mulheres que sofreram algumas situações que entenderam o quanto era necessário iniciar uma luta pela aquisição da equidade. Temos que pensar nas várias situações desconfortáveis femininas que ainda existem, mesmo com os direitos garantidos.
Tem muitas mulheres que sofrem de assédio sexual no ambiente de trabalho, violências no âmbito familiar, diminuição de gênero, raça e religião. Singularmente sobre violência no âmbito familiar é uma experiência dolorosa que muitas mulheres vêm sofrendo e que em hipótese alguma por ser tratado como normal.
Engana-se quem acredita que a vítima são mulheres com pouca ou nenhumas instruções, podem ser qualquer uma e inclusive você. Sempre começa numa tarde de um dia comum, um “príncipe” surge cheio de boas intenções e gentilezas convencendo você que finalmente encontrou o homem da sua vida.
As agressões não surgem nos primeiros meses, esses são dedicados a conquistar seu amor e dedicação. Quando percebe você está inteiramente envolvida e cheia de planos para ser feliz a dois, numa constituição de família.
Quando o agressor está certo do empoderamento sobre você, da mesma forma que iniciou a conquista, ele mostra suas capacidades violentas ofendendo sua honra com palavras difíceis de mencionar, mas que derruba suas convicções de amor. Essa violência passa a ser constantes no cotidiano e por muitas vezes você tem certeza que a culpa é sua. Sua autoestima agora nem existe, foi assassinada com as violências verbais e físicas. Não, não é fácil sair desta situação.
O agressor conhece suas fragilidades e domina suas emoções fazendo de você uma presa enredada nas suas falsas culpas de incapacidade de fazê-lo feliz. Ele é um doente e adoece qualquer um. Quando você não suporta mais essa situação e faz a denúncia as autoridades tratam o fato com desconfiança, parte de seus amigos e familiares não acreditam mesmo com provas da violência e sinais no corpo de imensa tristeza. Você continua sendo fraca por não ter modificado um doente com cara de bonzinho a matar alguém.
A prevenção não é válida e sim a tragédia para o direto fazer valer. Você literalmente precisa ser assassinada para então, causar nas autoridades e na sociedade civil o ímpeto pela justiça e a sua história de mulher boa ser mais um exemplo de justiça. Que nesta semana dedicada a mulher desejemos menos hipocrisia e muito mais respeito pelos nossos direitos. Que o belo seja a maneira que desvencilhamos de uma situação de violência e não o crime. Um abraço e um cheiro de alecrim.