José Renato Se

Lobão. Bobão.

Lobão. Bobão.

Por José Renato Sessino Toledo Barbosa - Professor

Por José Renato Sessino Toledo Barbosa - Professor

Publicada há 7 anos

Não compartilho do fascínio pela década de oitenta.

Não sou nostálgico, nem saudosista.

Aquilo que passou, passou.

Guardo com carinho os primeiros anos daquela década, na medida em que havia uma esperança etérea, existia um sonho de mudança. A ditadura cairia, o Brasil melhoraria. Mudanças ocorreriam.

Deu no que deu.

Depois da frustração das “Diretas-Já”, esqueci.

A segunda metade da década caracterizou-se pela “era Sarney”, “Nova República(?)”, a “new-age”, as danceterias...

Óbvio, não as frequentava.

Sim, sou chato.

Há muito curtia Blues e Jazz. No máximo, o verdadeiro rock and roll.

Portanto, aquela “estética” do chamado rock brasileiro quase não significou nada para mim.

Tenho respeito e apreço pela obra de Cazuza. Guardo com carinho os primeiros trabalhos do “Paralamas do Sucesso”. Apenas três ou quatro músicas muito antigas do Lobão. Só!

A Jacqueline havia me informado que Lobão apresentar-se-ia no Chalé.

Disse-me que queria ir.

Pedido feito, ordem cumprida.

Comprei ingressos, para ela, para mim, para a Débora e o Helinho.

Dez de março – aniversário de meu amado filho, Perseu -, sábado à noite.

Fomos.

Confesso, estava mais interessado em encontrar o casal amigo, feliz que João Paulo – filho do Helinho -, iria com a namorada. Lobão não me emocionava.

Apresentação acústica.

Meia –noite e meia subiu ao palco.

Uma gentileza convencional, ar arrogante e irônico.

Começou a tocar suas músicas antigas, precedidas de comentários acerca de suas criações.

Até aí, tudo bem.

No entanto, ao falar, seus comentários oscilavam entre a arrogância, a ironia, a presunção, a preocupação de falar de “seu livro”. Pior, não sei se para “fazer tipo” ou por negligência, afirmava constantemente que havia esquecido as letras e o repertório.

Ainda que a maioria da plateia tenha entendido de forma simpática e graciosa, ao contrário, vejo como desrespeito. Afinal, se é um artista, cuja vida é ganha, compondo e cantando, com apresentação da criação, é seu dever, executar o trabalho com seriedade e deferência ao público.

Não vi graça nenhuma. Aliás, pareceu-me estúpido. Alguma coisa como: “– Qualquer coisa que faça, estará ótimo para eles”.

Exagero?

Creio que não.

Fiquei indignado.

Execrei.

Ainda se dispôs a fazer “comentários políticos” idiotas, coxinhas, reacionários. Colhendo dividendos de eleitores “bolsonaristas” ou coxinhas.

Babaca!

Enojei-me.

Gentilmente, a querida Vanessa – anfitriã da noite -, ofereceu-nos uma pulseira, para, ao final da apresentação, irmos aos camarins, tirar foto com o “artista”.

Não quis!

Recordei-me, há tempos que Lobão dissera, possuir um “respeito geriátrico” por Caetano Veloso.

O velho e ressentido Lobão não consegue superar a frustração de não ter se tornado um “pop-star”.

Parou no tempo.

É mais lembrado pelas estripulias com as drogas – lícitas e ilícitas – do que com a música.

Faz mais de vinte e cinco anos que não produz nada de relevante, de significativo.

Ao contrário, há alguns anos, realizou um espetáculo patético: vociferou a produção independente. Livre do domínio das gravadoras.

Voltou a elas, com o “rabo entre as pernas”. Cordeirão!

Tentou a vida de apresentador de TV, escritor, comentarista.

Fracassou.

A mim, continua a fracassar na música.

Imbecíl. Nem “respeito geriátrico” tenho por ti.



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