
Conta o meu amigo Mário Bortoluzzo, que sempre pescava com o Juliano Voltarelli (in memorian) e o Valter de Castro, o Valtinho da Caixa Federal, que certa vez foram pescar na famosa lagoa de Indiaporã. Como não conheciam bem o local, pediram orientação para o capataz da fazenda, que não se fez de rogado; além de indicar os melhores pontos de pesca da represa, ainda deu algumas dicas e recomendou também alguns cuidados. Na lagoa havia muitos jacarés do papo-amarelo e cobras de tudo que era tipo.
A pescaria começou muito bem. Era só arremessar e logo fisgar belas tilápias e acarás. Como se dizia antigamente, “era por e tirar”. Uma beleza de pescaria. Em um determinado momento, o Juliano avistou uma baita duma jaracuçu preta, com o pescoção de fora, cortando água e vindo em direção ao grupo. Mais do que depressa, avisou o Valtinho e juntos pegaram um pedaço de pau que dava prá matar um elefante. Esperta, a cobra mudou de rumo e sumiu no meio da lagoa. Até o meio dia, viram pelo menos umas cinco cobras menores. Nem é preciso dizer que estava todo mundo de antena ligada.
E o Valtinho, precavido como sempre, não saia de perto do pedaço de pau. Certa hora, ele viu uma cabeça preta saindo de dentro d’água. Desesperado, não teve duvida e nem pensou duas vezes; mandou o porrete com fé e vontade na cabeça do bicho, que afundou e desapareceunaquela imensidão de água.
Minutos depois, viram uma enorme traíra boiando, completamente grogue. Era a tal cabeça preta que o Valtinho tinha acertado. Segundo o Mário, aquela foi a pescaria mais primitiva que se viu até hoje: pegar peixe na paulada!