Carlos Eduardo

Liberdade: joia de valor inestimável

Liberdade: joia de valor inestimável

Por Carlos Eduardo Maia de Oliveira - Professor e Biólogo

Por Carlos Eduardo Maia de Oliveira - Professor e Biólogo

Publicada há 7 anos

“Liberdade é uma palavra que o sonho humano alimenta, não há ninguém que explique e ninguém que não entenda” (Cecília Meireles).

                Pergunte a uma pessoa que, obrigatoriamente, deve seguir uma dieta restritiva para emagrecer ou por causa de um problema de saúde, o que é liberdade.       

                Faça essa mesma pergunta a alguém que padece de uma doença importante e, por isso, encontra-se confinado de forma permanente a uma cama.

                Indague a um prisioneiro, encarcerado há anos, sobre o que ele pensa dela.

                As respostas, provavelmente, serão mais ou menos assim: gostaríamos de comer os mais variados alimentos, voltar a gozar de plena saúde, libertando-se das dores físicas e psicológicas que costumam acompanhar as enfermidades e, no caso do prisioneiro, voltar a sentir a brisa da manhã exercendo o sagrado ato de ir e vir para qualquer lugar.

                A liberdade é tão valiosa quanto frágil, tão necessária quanto fugaz. Basta uma pequena limitação ou uma condenação para perdê-la, para vê-la escapar das mãos.

                A propósito! Outro dia, tive a oportunidade de conversar com um jovem trabalhador que já esteve preso. Sem lhe fazer perguntas a respeito ou julgamentos (mesmo porque não cabem a minha pessoa), o rapaz, espontaneamente, assim relatou: “os dias na prisão não passam e lá, inventávamos coisas para fazer só para ver o tempo passar um pouco mais rápido”. Nesses casos, a privação de liberdade é uma medida adotada pela Justiça com o intuito de fazer a pessoa pagar sua dívida com a sociedade e a se reabilitar (ponto controverso, atualmente).

                O cárcere é uma forma extrema de perda de liberdade, no entanto, nem precisa passar por essa experiência para perdê-la de alguma forma. Todos têm um parente ou amigo que, ontem, vendia saúde e, de repente, adoeceu e passou a conviver com algum tipo de limitação séria que lhe tirou a liberdade, a autonomia, a alegria de viver.

                Certa vez, um neurocirurgião, em uma palestra que tive a oportunidade de assistir, disse: “vocês não imaginam a importância e a felicidade para uma pessoa, confinada a uma cadeira de rodas, apresentar algum progresso em sua mobilidade geral, por mínimo que seja”.

                Quem não tem liberdade, sonha com a independência. Quem a perdeu, não pensa em outra coisa. Ela é tão valiosa para o ser humano, que é impossível imaginar que alguém possa ser plenamente feliz sem possui-la.

                Como nos dizeres da poetisa Cecília Meireles, é difícil explicar com exatidão o sentimento de liberdade, mas é fácil sentir na alma quando a possuímos e, principalmente, quando a perdemos.

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