Da Redação
As duas mulheres que foram presas suspeitas de fazerem uma adoção ilegal de um bebê de apenas 15 dias em São José do Rio Preto (SP) se conheceram e combinaram a ação por meio de um grupo de adoção de crianças nas redes sociais, segundo a delegada da Delegacia da Defesa da Mulher (DDM).
As prisões da mãe biológica e da adotiva foram feitas na manhã de quarta-feira (22). Elas continuam presas à disposição da Justiça na Delegacia de Investigações Gerais (DIG) por não terem pagado a fiança arbitrada. A mãe terá que pagar a quantia de R$ 1 mil e a outra mulher R$ 2 mil.
“Segundo a mulher que ficou com a criança, as duas se conheceram através de uma amiga há cinco meses, mas ainda não temos conhecimento de quem seria a amiga que teria feito esse tipo de negociação. Apenas sabemos que foi através de uma rede social, onde o principal assunto era adoção de crianças”, diz Dálice Ceron.
A Polícia Civil descobriu a adoção ilegal depois de receber uma denúncia anônima relatando que a mulher, de 45 anos, se relacionava com a grávida, de 19 anos, com a intenção de ficar com a criança.
A mãe da criança chegou em Rio Preto no mês passado. Ela deu à luz há 15 dias no Hospital Santa Casa da cidade. Depois, ela foi para o apartamento da mulher para quem entregou o filho e teve toda assistência necessária.
“Com a denúncia anônima, nós verificamos que ela estava em poder do recém-nascido e que a mãe estaria com a viagem marcada a madrugada desta quarta-feira (22) para a cidade de origem dela [em Cascavel, no Paraná]. Então, nossos policiais trabalharam a noite toda e surpreenderam a mãe com a passagem nas mãos enquanto a outra estava com a criança”, afirma a delegada.
Ainda segundo Dálice Ceron, não é a primeira vez que a suspeita de adotar ilegalmente tenta fazer isso. Ela, inclusive, será indiciada nos autos do outro inquérito policial instaurado na mesma delegacia.
Inquérito
Durante depoimento, a mãe biológica alegou que não tinha condições de criar a criança, pois ela já tem um filho que mora com a avó, no Pará.
De acordo com o promotor da infância e juventude, já foi instaurado um procedimento contencioso, onde a mãe será notificada para apresentar a defesa dela.
“A lei hoje permite a entrega de uma criança e adolescente. O que ela não permite são os casos como deixar crianças em praças públicas, dentro de caixotes ou entregar para terceiros. A única legalidade existente dentro do país é a família procurar o Fórum ou outros serviços. O que ela não fez”, explica André Luis de Souza.
A criança adotada ilegalmente foi encaminhada para o Conselho Tutelar de Rio Preto e permanece em segurança.
“Agora nós vamos ver o que vai acontecer com a mãe para darmos destino para criança. Temos que acionar a família extensa, ou seja, os avós, tios, se não houver ninguém no entorno que possa ficar com a criança, então aí encaminhamos para a família adotiva”, afirma o juiz da Vara da Infância e Juventude, Evandro Pelarin.