DIFICULDADES!
Voluntários “travam” luta diária e defendem animais abandonados
Voluntários “travam” luta diária e defendem animais abandonados
Centro de Zoonoses é o único espaço público que recebe animais; com o auxílio dessas pessoas, cães e gatos veem os maus-tratos e o abandono serem transformados em afeto e carinho
Centro de Zoonoses é o único espaço público que recebe animais; com o auxílio dessas pessoas, cães e gatos veem os maus-tratos e o abandono serem transformados em afeto e carinho

Animais resgatados receberam osdevidos cuidados e estão bem de saúde
Por Breno Guarnieri
Encontrar animais abandonados pelas ruas tem se tornado cada vez mais comum. Em alguns dos casos, os próprios donos maltratam e desamparam os bichos. Em Fernandópolis, o único espaço público que recebe estas vítimas de maus-tratos é o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ). Hoje, o local abriga 95 animais, entre cães e gatos. ONGs também fazem este trabalho, mas as diversas dificuldades, principalmente financeira, têm prejudicado a iniciativa. Contudo, os voluntários ajudam muito. Eles recolhem, recebem e cuidam destes animais.
Com o auxílio dessas pessoas, cães e gatos veem os maus-tratos e o abandono serem transformados em afeto e carinho. Ao invés de carrapatos e das pulgas, eles agora possuem pelos limpos e cheirosos, e aguardam a chegada de um novo tutor.
Por conta própria, a professora Maria Eduarda, 34 anos, percorre avenidas e ruas de Fernandópolis, na intenção de encontrar e recolher animais em “estado de abandono”. “Sempre fui apaixonada por animais, mas estou tendo dificuldades em mantê-los em minha casa. Quando encontro um animal abandonado, primeiramente trato dele e, estando bem de saúde, o divulgo para adoção nas redes sociais. O interesse para a adoção de animais abandonados é pequeno. Ainda existe preconceito. Então, às vezes, é preciso ficar mais tempo com eles”, explicou Maria Eduarda.
Segundo a cuidadora, os custos mensais, que giram em torno de R$ 2 mil, dificultam, porém, não “falam mais alto” do que a história de alguns dos cães que estão sob seus cuidados em sua residência. Ela relata que muitos deles são encontrados sem esperança de sobreviver. Porém, após receberem cuidados específicos, conseguiram ser resgatados de doenças graves, como grandes tumores. “Alguns foram abandonados no lixo. Teve uma que foi amarrada no quintal de casa pela própria tutora, que mandava os filhos agredirem a cadela”, relembrou.
Cinco filhotes
No último sábado (11), o empresário José Antônio recebeu, em sua loja, cinco filhotes de cachorro encontrados em uma caixa de papelão, nas proximidades do Recinto de Exposições. “Não posso deixar eles (cachorrinhos) aqui na minha loja para adoção, em razão da lei que proíbe exposição de animais em gaiolas. Inclusive, na minha opinião, essa lei é infundada. Maus-tratos é o abandono. Aqui eles são alimentados e medicados”, destaca José Antônio informando que os filhotes estão sob seus cuidados na situação de “lar temporário”.

Filhotes encontrados abandonados perto do Recinto de Exposições
LEI
Vigora desde 2015, em todo o território nacional, uma lei que estabelece a proibição da venda e exploração de animais em vitrines e gaiolas. De acordo com a legislação, as lojas especializadas nos cuidados e na venda de animais de estimação terão que adequar os animais em um ambiente livre de exposição a barulhos, com acesso restrito para as pessoas, locais mais luminosos e também cada animal deverá ser adequado ao seu habitat natural.

Dificuldades constantes
Além dos protetores, há também associações que vivem de doações. No entanto, as dificuldades financeiras paramanter tais unidades são as mesmas. Em Fernandópolis, a organização Pelos e Patas incentiva as denúncias contra maus-tratos e a adoção de pets abandonados. A referida organização luta ativamente pelos direitos dos animais, ajudando tanto na divulgação de informações valiosas sobre o cuidado com diferentes espécies, quanto na elaboração de projetos especiais.
A entidade, que não abriga os animais, não possui fins lucrativos e desenvolve ações para que os animais possam encontrar um novo lar. Porém, segundo a presidente Francisele Marin, asdificuldades tornaram-se constante, principalmente financeira. “Todos estão cansados de saber que abandono de animal é crime, mas ainda existem muitos casos na nossa cidade. Cada caso de abandono gera um custo, e às vezes, bemalto, pois não podemos tratar do animal e depois o devolver para rua.Precisamos de um ‘lar temporário’ até que ele seja adotado. Muitas vezespagamos hotelzinho”, salientou.
A pessoa interessada em ajudar a Pelos e Patas basta entrar em contato com a organização pelo www.facebook.com/grupo.pelosepatas.