NÃO VAI FECHAR

Governo 'banca' manutenção do HC em Fernandópolis

Governo 'banca' manutenção do HC em Fernandópolis

Decisão oficial sai até sexta

Decisão oficial sai até sexta

Publicada há 10 anos


Participantes da mobilização em Fernandópolis durante “abraço ao Hospital do Câncer” da cidade (fotos: Roberto Tsuzuki)



Por João Leonel 


As mobilizações fernandopolense e jalesense foram fundamentais, transformando o "clamor popular" contra o fechamento do Hospital do Câncer de Fernandópolis numa enorme pressão sobre o governo estadual, que, de acordo com a Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo, firmou parceria com uma Organização Social de Saúde (OSS) de Rio Preto para assumir os trabalhos da  Unidade de Prevenção "Julia Marzola Faria" e da Unidade de Prevenção "Célia Coutinho Semeghini". Mas, ainda segundo a Secretaria de Estado, isso só será concretizado "caso a Fundação Pio XII, de Barretos, deixe mesmo a gestão dos serviços". Nesta segunda-feira (20), a Reportagem de "O Extra.net" esteve na Unidade do HC de Fernandópolis, onde foi informada de que nenhum dos equipamentos havia sido transferido para Jales. 


Essa transferência de aparelhos e demais instrumentos já estava programada pela direção do Hospital do Câncer de Barretos, conforme resposta enviada à Redação, via email, pela Assessoria de Imprensa do referido hospital, confira: "Sim, alguns equipamentos da unidade de Fernandópolis serão destinados ao Hospital de Câncer de Barretos - unidade Jales. Não sabemos quais são eles e nem a data que essa mudança acontecerá, mas a transição será feita para que os atendimentos continuem sendo realizados". 




A visita à unidade médica foi realizada por volta das 17h. Pouco depois, a notícia da parceria da Secretaria da Saúde com a OSS se confirmou através de um release, publicado na íntegra logo abaixo. Vale ressaltar que tudo depende ainda de um acordo com a Fundação Pio XII, representada por seu presidente, Henrique Prata. A prefeita Ana Bim, através de um vídeo nas redes sociais, confirmou a informação do governo estadual. "Recebi uma ligação do governador (Geraldo Alckmin) e do secretário estadual da Saúde (David Uip), e teremos uma reunião nesta quinta-feira (dia 23). Até sexta-feira (dia 24) teremos boas notícias", declarou a prefeita de Fernandópolis.


Confira a Nota Oficial da Secretaria da Saúde de São Paulo


A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo fechou ontem (20), uma parceria com a Associação e Fraternidade São Francisco de Assis na Providência de Deus, de São José do Rio Preto, para garantir o funcionamento da unidade ambulatorial do Hospital do Câncer em Fernandópolis caso a Fundação Pio XII, de Barretos, deixe mesmo a gestão do serviço. A associação é uma Organização Social de Saúde (OSS) que já atua no gerenciamento de unidades de saúde do governo do Estado no interior paulista, como os hospitais estaduais e os AMEs (Ambulatórios Médicos de Especialidades) de São José do Rio Preto e de Presidente Prudente, por meio de  contratos de gestão firmados com a pasta estadual. A OSS informou à Secretaria ter condições de assumir a unidade de Fernandópolis imediatamente, e com o compromisso de que não haverá alteração no quadro de funcionários ou interrupção no atendimento prestado à população. Também ficou acertado que não haverá qualquer repasse de verba. Isso porque a unidade já tem pedido de credenciamento de seus serviços junto ao Ministério da Saúde. O prédio onde hoje funciona a unidade pertence à Associação de Voluntários de Combate ao Câncer (AVCC), que em 2012 doou o imóvel à Fundação Pio XII, com a condição de que ela mantivesse um serviço de saúde ali. Caso a Fundação deixe de gerir a unidade ambulatorial, a AVCC retoma o imóvel e poderá cedê-lo à Associação e Fraternidade São Francisco de Assis na Providência de Deus, por comodato ou doação, para que o ambulatório continue funcionando normalmente. A associação firmaria também um convênio com o município de Fernandópolis para a gestão do serviço, nos mesmos moldes do que já acontece hoje com a Fundação Pio XII. A OSS responsável pelo Hospital Estadual de Rio Preto também concordou em assumir a unidade ambulatorial de Fernandópolis sem a necessidade de que o Estado faça aportes adicionais de recursos. A associação utilizará ferramentas de otimização de custos e gestão racional para garantir o funcionamento da unidade com os repasses que ela já recebe do governo estadual. A direção da Fundação Pio XII anunciou no início deste mês que iria fechar a unidade de Fernandópolis por não receber recursos do SUS (Sistema Único de Saúde). O pedido de credenciamento do serviço foi aprovado pelo Estado em março do ano passado e encaminhado ao Ministério da Saúde, mas até o momento não teve resposta do órgão federal. Do mesmo modo, a habilitação do Hospital do Câncer de Jales, gerido pela Fundação Pio XII, aguarda parecer do Ministério há três anos. A Fundação Pio XII recebeu do governo desde janeiro de 2013, cerca de R$ 700 milhões para realizar os atendimentos em suas unidades, incluindo a de Fernandópolis. Desse total, R$ 178 milhões foram repassados pela pasta estadual de forma absolutamente voluntária, para ajudar a cobrir o subfinanciamento federal na área da saúde. Até o final deste ano serão outros R$ 36,5 milhões em repasses extras para a instituição, com recursos estaduais. “Muitas entidades estão sofrendo com a grave crise econômica e com a falta de repasse de verbas do governo federal. Respeitamos muito avaliação do Pio XII, mas é fundamental, nesse momento, garantir o atendimento à população”, afirma David Uip, secretário de Estado da Saúde de São Paulo. Uip afirma que, além de manter o serviço aberto, o acordo construído hoje também vai liberar a Fundação Pio XII para enxugar seus custos e, principalmente, não prejudicar os usuários do SUS. “Sabemos quer a maior preocupação da direção da Pio XII, além de econômica, é evitar o fechamento da unidade. Com essa medida, conseguimos resolver dois grandes problemas e não prejudicar aqueles que mais precisam do serviço público de saúde. Certamente, se necessário, faremos uma transição que irá beneficiar a todos”, diz David Uip.


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