Por Jorge Pontes
Nos últimos dias, o Ministério da Saúde admitiu que o Brasil enfrenta uma epidemia de Sífilis. De acordo com o último boletim epidemiológico divulgado pelo governo, entre junho de 2010 e 2016 foram notificados quase 230 mil casos novos da doença e a transmissão de gestantes para bebês é, atualmente, o principal problema.
Sem destoar desta realidade, Fernandópolis também está em alerta quanto ao aumento de casos da doença na cidade. De acordo com dados atualizados do setor de Vigilância Epidemiológica, da Secretaria Municipal da Saúde, até o momento 45 pessoas (24 casos em homens e 21 em mulheres) foram diagnosticadas com Sífilis, um número que já chama atenção se levado em conta que o montante representa 75% do número de casos registrados de janeiro a dezembro de 2015. No total, foram 60 casos no ano passado.
O que também causa espanto nos profissionais da saúde é de que os números tem tido um aumento acentuado nos últimos três anos, com pico em 2015. Os casos registrados naquele ano são superiores a 2013 e 2014 juntos.
Foram 21 casos de Sífilis contabilizados em 2013 e 25 em 2014. E, ao que tudo indica, 2016 deve bater os 60 casos de 2015, considerando as festividades de final de ano, quando os números se elevam assim como no período carnavalesco.

O CADIP - Centro de Atendimento à Doenças Infectocontagiosas-, de Fernandópolis, realiza campanhas para prevenção, palestras em escolas, além de distribuir preservativos e realizar testes rápidos
Em resposta à reportagem de “O Extra.net”, a Secretaria informou que “diante do aumento dos casos, o município vem intensificando as ações de orientação a população através de palestras nos CRAS/CREAS e escolas pelo serviço especializado (CADIP). A atenção básica atuou orientando a população nas salas de espera e oferecendo o teste rápido que está disponível em todas as unidades de saúde do município. Lembrando que o tratamento é eficaz e a diminuição dos casos depende da adesão e compromisso dos pacientes frente as ações propostas.”

A tendência de aumento de casos também pode ser observada em outros países. Na Inglaterra, por exemplo, os novos casos de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs) caíram 3% entre 2014 e 2015, mas o total de infecções de sífilis adquirida nesse contexto aumentou 20%.
Igualmente, nos Estados Unidos, os casos aumentaram 19% no mesmo período - entre 2014 e 2015 -, de acordo com o CDC, Centro para Prevenção e Controle de Doenças.
COMO DIAGNOSTICAR A SÍFILIS?
Para confirmar que se trata de sífilis o médico deve observar a região íntima da pessoa e investigar se ela teve contato íntimo sem camisinha. Se não houver nenhuma ferida da região genital, nem outras partes do copo o médico pode solicitar um exame chamado VDRL que identifica o treponema palladium no organismo.
Esse exame normalmente é realizado em cada trimestre de gestação em todas as grávidas porque a sífilis é uma doença grave que a mãe pode passar para o bebê, mas que é facilmente curada com antibióticos prescritos pelo médico.
SÍFILIS TEM CURA?
A sífilis tem cura e esta pode ser facilmente tratada com injeções de penicilina, mas seu tratamento deve ser iniciado o mais rapidamente possível para evitar o surgimento de complicações graves em outros órgãos como o cérebro, o coração e os olhos, por exemplo.
INFORMAÇÕES RELEVANTES SOBRE O TEMA:
· Três em cada cinco ocorrências (62,1%) ocorreram no Sudeste;
· A faixa etária mais afetada é a dos 20 ao 39 anos;
· No ano passado, a cada mil bebês nascidos, 6,5 eram portadores de sífilis. Em 2010, esse número era de 2,4 crianças a cada mil nascimentos;
· A principal forma de transmissão é o contato sexual e durante a gestação, por via hematogênica.