ALERTA
Casos de sífilis em Fernandópolis aumentam 390% em cinco anos
Casos de sífilis em Fernandópolis aumentam 390% em cinco anos
Notificações da doença mais que triplicaram; Quadro preocupa especialistas
Notificações da doença mais que triplicaram; Quadro preocupa especialistas

Testes rápidos da doença podem ser realizados gratuitamente em qualquer Unidade de Saúde em Fernandópolis
Por Lívia Caldeira
Profissionais da área da saúde em Fernandópolis estão em alerta para o aumento do número de casos de uma doença milenar, tratável e de fácil prevenção. O Brasil todo está vivendo uma epidemia de sífilis, doença sexualmente transmissível, que parecia ter sido erradicada, mas volta a ameaçar a população. A doença, causada por uma bactéria, pode levar a problemas de fertilidade e até a morte, se não tratada.
O aumento dos números da doença no município assusta especialistas: em 2012 foram notificados 10 casos de sífilis adquirida em adultos, contra 49 novos casos já registrados até o dia 18 de novembro deste ano. Pode-se observar, portanto, um aumento de 390%. Os casos da doença nos últimos cinco anos mais que triplicaram, sem levar em consideração que o ano ainda não terminou e novas notificações podem contribuir ao aumento desses números.
Para o médico infectologista Dr. Marcio Cesar Gaggini, é de fundamental importância que a população se conscientize. “Em Fernandópolis, todas as Unidades de Saúde possuem profissionais treinados para a realização de testes rápidos para sífilis e outras infecções sexualmente transmissíveis. Gostaríamos que a procura fosse maior, pois quanto mais precoce o diagnóstico, maiores são as chances de cura e a eficácia do tratamento.”
A maior preocupação é com a transmissão de mulheres grávidas para o feto. Os bebês podem sofrer malformações no sistema nervoso, perder a visão ou a audição e até mesmo morrer. Entre as gestantes, no ano de 2011, nenhum caso foi registrado, ao contrário deste ano, em que já ocorreram 10 notificações até o momento.
Entre as causas que contribuem para o aumento desta epidemia silenciosa, segundo o infectologista, estão a falta de informação, as mudanças de hábitos e a diminuição dos cuidados durante as relações sexuais. “Existe a falsa ilusão de que que a doença foi eliminada, e além disso, hoje em dia, os tratamentos são de fácil acesso e gratuitos, o que leva as pessoas a não se preocuparem em relação ao uso do preservativo” destaca Dr. Marcio Gaggini.
O especialista reforça ainda que não só o paciente, mas também seu parceiro (a) deve passar por frequentes exames e tratamentos. Ciente da gravidade da situação, ele ressalta, que para combater a doença, é fundamental o uso do preservativo e a agilidade no diagnóstico.

Os médicos infectologistas do CADIP (Centro de Atendimento às Doenças Infectocontagiosas e Parasitárias) Dr. Marcio Cesar Gaggini e Maurício Fernando Favaleça.
SINTOMAS
A doença apresenta vários estágios. No primeiro, causa feridas na região genital (pênis, vulva, vagina, colo uterino, ânus). Isso acontece entre 20 a 90 dias após a relação sexual com a pessoa infectada. Estas lesões não coçam, não doem, não ardem e nem apresentam pus. Nas mulheres, muitas vezes a falta de sinais visíveis retarda o diagnóstico. Esses ferimentos se curam sozinhos e, depois disso, a bactéria entra na corrente sanguínea.
Após ingressar no sangue, a Treponema pallidum provoca a chamada sífilis secundária, que começa a se manifestar depois de dois ou três meses da contaminação. Os principais sinais são lesões de pele no corpo todo, parecidas com rubéola, inclusive na área genital.
TRATAMENTO
Quando diagnosticada precocemente, a sífilis não costuma causar maiores danos à saúde e o paciente costuma ser curado rapidamente.
O tratamento mais indicado pelos médicos é feito à base de penicilina, um antibiótico comprovadamente eficaz contra a bactéria causadora da doença. Uma única injeção de penicilina já é o bastante para impedir a progressão da doença, principalmente se ela for aplicada no primeiro ano após a infecção. Se não, o paciente poderá precisar de mais de uma injeção