
Sandra Godoy renunciou; Flávio Ferreira assume como “tampão” até a chegada de Gilmar Cestaro, atual 1º vice-provedor e que já ocupou outros cargos na direção da Santa Casa, entre eles, o de 2° diretor-tesoureiro, em 2014
Por João Leonel
Um verdadeiro “caos” se abate sobre o maior hospital de Fernandópolis. Sem transparência - diversos setores da comunidade clamam pela abertura da “caixa preta” da Irmandade -, sem prestação de contas, sem Pronto-Socorro e agora também sem provedora. Funcionários sem 13º salário - do ano passado ainda não foi pago e o deste ano, até o momento, nem sinal. Há atrasos também nos salários de médicos. Este é o quadro atual da Santa Casa de Fernandópolis, que responde pelo nome de “Hospital de Ensino”, em parceria com a Universidade Brasil, que assumiu recentemente a extinta Unicastelo.
Se o relato fosse um boletim médico sobre a “saúde” da Santa Casa, certamente a condição clínica retrataria um paciente “nas últimas”. Além deste catastrófico cenário, divergências administrativas assolam a Irmandade, como deixou claro o desabafo de Sandra Godoy em uma Carta Renúncia (confira o documento na íntegra logo abaixo).
Através de uma Nota Oficial, via Assessoria de Comunicação do hospital que atende Fernandópolis e microrregião, foi anunciada a renúncia da provedora, que substituiu Geraldo Silva de Carvalho (no cargo entre 2012/2015) em maio de 2015, sendo reeleita em fevereiro deste ano. Com a renúncia de Godoy, seu substituto imediato seria Gilmar Cestaro da Gama, 1º vice-provedor, que se encontra em viagem ao exterior. A saída foi indicar um “provedor tampão”, no caso, Flávio Ferreira, 2º vice-provedor - que ficará no caro somente até amanhã, dia 30. Flávio foi escolhido pelo prefeito eleito André Pessuto como o próximo Secretário da Saúde, devendo assumir a pasta municipal já no dia 1º de janeiro de 2017.
ATAQUES
De acordo com Sandra Godoy - através de informações colhidas em sua Carta Renúncia, assinada pela própria ex-provedora, a que a Reportagem teve acesso, documento este já replicado em diversos veículos de comunicação da cidade -, sua situação no comando da Santa Casa tornou-se insustentável por conta de “nocivas discordâncias de intransigentes”, estes, sem serem denominados, componentes do Conselho Administrativo do hospital.
“Infelizmente, após ser reconduzida ao cargo, tenho sofrido sistemática oposição de uma ala do conselho, oposição essa que começou de forma sutil e se tornou ferrenha, particularmente pela atuação de neófitos, integrantes do Conselho Administrativo. Reuniões de trabalho se tornavam verdadeiros embates, que eram deletérios aos interesses da Santa Casa”, disparou.
CARTA DE SANDRA GODOY INFORMANDO SUA RENÚNCIA
“Senhores. É com imenso pesar que comunico a esse Colendo Órgão a minha renúncia ao cargo de provedora, que venho ocupando desde Maio de 2015 e que tem validade até Fevereiro de 2018, o que faço por razões de cunho pessoal. Quando assumi a provedoria, o Conselho e a Diretoria estavam irmanados num só objetivo. Conseguimos, graças a um trabalho honesto, transparente e eficaz, conquistar a confiança e o apoio de toda a região, que abraçou nossas promoções cujo objetivo era minimizar o déficit financeiro do hospital, de resto já combalido pela crise financeira que assola o país e diminui os recursos da Nação. Essa paz foi prejudicada por divergências supervenientes. Infelizmente, após a eleição de fevereiro de 2016, quando fui reconduzida ao cargo, tenho sofrido sistemática oposição de uma ala do conselho, oposição essa que começou de forma sutil e se tornou ferrenha, particularmente pela atuação de neófitos, integrantes do Conselho Administrativo. A situação chegou ao paroxismo de, uma vez convocado para reuniões com a diretoria, o Conselho não comparecer, e reuniões de trabalho se tornavam verdadeiros embates, que eram deletérios aos interesses da Santa Casa. Vários integrantes do corpo clínico foram grandes parceiros, enquanto outros sempre se manifestaram contrários à nossa gestão. O mesmo acontece com o quadro de colaboradores, no qual percebemos uma parcela que não pactua das nossas posições. e, ao ensejo, apresento minhas sinceras desculpas, pedindo a Deus que ilumine os futuros gestores da instituição e que eles a conduzam com sabedoria e parcimônia. Sem mais para o momento, subscrevo-me. Atenciosamente, Sandra Regina de Godoy”
NOTA OFICIAL DA ASSESSORIA DE IMPRENSA DA SANTA CASA
Informamos que a partir desta quarta-feira, dia 28 de dezembro, o 2º vice-provedor, Sr. Flávio Carlos Ruy Ferreira, assumiu como “provedor em exercício” a direção da OSS Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Fernandópolis, entidade gestora do Hospital de Ensino Santa Casa, Ambulatório Médico de Especialidades (AME) e Serviço de Reabilitação Lucy Montoro. A assunção ‘pró tempore’ se deve à renúncia da Profa. Dra. Sandra Regina de Godoy ao cargo de provedora e ao impedimento do 1º vice-provedor, Sr. Gilmar Cestaro da Gama, que se encontra em viagem. Também apresentou renúncia ao cargo a Sra. Diná Maria Belúcio, que atuava como 3ª Diretora Secretária da Irmandade. Cumprindo o Estatuto Social da instituição, o provedor em exercício notificou o Conselho de Administração, que dentro das próximas horas deverá deliberar sobre as providências necessárias a serem tomadas. Ferreira deve ficar no cargo até a próxima sexta-feira, dia 30, quando se afastará para cumprir a exigência do Estatuto Social da Santa Casa, já que tomará posse como Secretário Municipal da Saúde para a próxima gestão do executivo municipal.