Por Lívia Caldeira
Cidade pequena do interior, pacata, tranquila, sossegada, pacífica e sem registro de violência são características que não mais descrevem o município de Fernandópolis, onde a criminalidade assusta cada vez mais os moradores.
O assalto com reféns na loja Casas Bahia em setembro deste ano e a recente morte de um policial militar baleado durante ataque a caixa eletrônico no Shopping, são alguns exemplos de crimes típicos de grandes metrópoles dos quais Fernandópolis foi alvo nos últimos meses.
A sensação de insegurança vem sendo uma das principais preocupações dos fernandopolenses. Que o diga Wilma Vieira, ela estava trabalhando em uma lanchonete localizada no bairro Bela Vista quando foi anunciado um assalto: “O bandido entrou no estabelecimento, estava de capacete e não consegui ver seu rosto. Ele me ameaçou com uma faca e roubou o dinheiro do caixa. Fiquei apavorada, sem reação. Foram momentos de terror que espero não se repitam nunca mais.”Ela conta que depois desse assalto, que ocorreu em abril deste ano, passou a sentir-se insegura diante da onda de crimes que acontecem quotidianamente na cidade.
O caso de Wilma é só mais um número das estatísticas que compravam que a criminalidade de fato aumentou no município. Segundo dados da Secretária de Estado de Segurança Pública (SSP), os números de roubo praticamente dobraram em um ano, houve um aumento de 92% em relação ao ano passado:de janeiro a outubro de 2015 foram registrados 38 casos contra 73 no mesmo período deste ano. Assim como a quantidade de furtos, que aumentou 42% nos últimos quatro anos. Tendo em vista o significativo aumento registrado neste ano, a reportagem de “O Extra.net” entrevistou o Dr. Ailton Canato, Delegado de Polícia Titular da DIG local, que explanou sobre o assunto.
O EXTRA: Quais fatores explicam esse aumento de furtos e roubos no Município?
DR. AILTON: Esse aumento não é uma situação sazonal, o aumento da criminalidade, principalmente contra o patrimônio, tem sido constatado em todo o estado de São Paulo. Também não existem elementos seguros que possam ligar o aumento da criminalidade com a crise econômica, pois a autoria desses furtos e roubos não está vinculada a pais de famílias que perderam seus empregos. Os autores continuam sendo pessoas que já tiveram envolvidas em outras ocorrências anteriormente. Apenas o combate incessante poderá reduzir a criminalidade contra o patrimônio. Para isso, a Polícia Civil de Fernandópolis já realiza a chamada operação natal, quando policiais realizam rondas no comércio local e adjacências.
O EXTRA: Qual o perfil de quem comete esses crimes?
DR. AILTON: A DIG tem realizado um estudo para traçar o perfil do chamado autor de crime contra o patrimônio. Já podemos constatar que os autores desses crimes mediante violência ou grave ameaça são, na sua maioria, adolescentes e jovens até 30 anos. Muitos dos autores já identificados são usuários de drogas.
O EXTRA: O que, na maioria do casos, motiva o indivíduo a praticar o roubo/furto?
DR. AILTON: Geralmente, o que motiva a prática de crime contra o patrimônio é a facilidade para usar o objeto furtado na troca por drogas ou para conseguir dinheiro. É importante ressaltar que receptador é o grande fomentador desse tipo de criminalidade, pois o objeto do furto só tem valor se alguém o adquire.
O EXTRA: As chamadas “saidinhas temporárias” contribuem para o aumento da criminalidade?
DR. AILTON: Sem dúvida as “saidinhas” estão sempre ligadas ao aumento da criminalidade nas ocasiões em que elas ocorrem. Alguns beneficiados aproveitam a liberdade para a prática de crimes. Nessa situação, a polícia civil tem dificuldades para apuração da autoria, pois muitos retornam para as penitenciárias, o que dificulta a obtenção de informações que possam identifica-los. Apesar desse vínculo existente entre as saidinhas e o aumento da criminalidade, é importante informar à sociedade que as polícias civil e militar possuem informações desses sentenciados que são beneficiados e intensifica a fiscalização durante o período da saída temporária.
O EXTRA: Quais ações são realizadas pela PM no que diz respeito ao controle e combate à criminalidade?
DR. AILTON: À Polícia Militar, por atribuição constitucional, cabe o policiamento ostensivo e a preservação da ordem pública.Quanto ao combate à criminalidade, a PM desenvolve importante atividade, principalmente se fazendo presente nos locais de maior incidência criminal. É impossível estar em todos os locais ao mesmo tempo, motivo pelo qual, a Polícia Militar desenvolve constantemente estudos para melhor distribuir seu contingente.