Por Lívia Caldeira / Marcela Barbar
No último dia (11), a Polícia Militar de Fernandópolis foi acionada para atender uma solicitação via 190 no bairro Residencial Terra Verde, onde mora o médico Tarcísio Delfino de Oliveira e sua família.
Durante a ocorrência um cachorro da raça boxer, de 1 ano e 3 meses, ao sair de dentro de sua casa foi morto por um dos policiais com o disparo de uma arma de fogo.
Em decorrência deste fato que teve grande repercussão nas redes sociais, principalmente entre as ONGS protetoras dos animais, a equipe de “O Extra.net” entrou em contato com a família que criava o animal e também com o comando do 16º BPM/I para tentar esclarecer o que realmente aconteceu e o motivo do disparo que acabou matando o animal.
O EXTRA: Os cachorros ficam soltos em casa ou presos em um canil?
TARCÍSIO: Nós temos três cachorros que sempre ficam presos em um canil. Neste dia, alguns amigos do meu filho estavam em casa e ao saírem deixaram o portão aberto. Como nós não sabíamos que o portão estava aberto, soltamos os cães por volta das 20h para que eles pudessem brincar um pouco. Eles são muito dóceis, são filhotes. Nunca tivemos problemas com nenhum deles. O boxer (que foi morto), em especial, adorava crianças e era muito brincalhão.
O EXTRA: Conte a sua versão do ocorrido.
TARCÍSIO: Como, por um descuido que não foi nosso, o portão estava aberto, o zelador do condomínio suspeitou de que algo estivesse errado e ligou para a polícia. Eu fui comunicado do ocorrido somente depois que um dos policiais já havia atirado no boxer, após o zelador ouvir o disparo e me ligar. Com o barulho, os outros dois cães, que também estavam na frente de casa no momento do disparo, se assustaram e imediatamente saíram correndo. Ao chegar, não conseguia acreditar no que estava vendo. O meu cachorro havia levado um tiro na região da cabeça. E o motivo? Por ele ter latido para o policial. O cachorro ainda ficou agonizando por várias horas, até que um veterinário chegasse para sacrificá-lo. Foi muito triste ver aquela cena. Ele (o cachorro) era como se fosse um membro da família.
O EXTRA: O que mais te revoltou?
TARCÍSIO: O motivo pelo qual meu cachorro foi morto. Ele não atacou ninguém (até porque se tivesse atacado, os policias apresentariam sinais de arranhões ou mordidas). Ele era muito manso, e simplesmente fez o que os cães fazem, ou seja, latiu. Então quer dizer que se um cidadão discutir com um policial, isso será motivo para um tiro? Nós homens falamos, os cachorros latem, é normal.
O EXTRA: Então, em sua opinião, o que os policiais deveriam ter feito?
TARCÍSIO: Eles poderiam ter entrado dentro da viatura, ter corrido, dado um tiro para o alto, usado spray de pimenta... Eles poderiam ter feito qualquer coisa, menos ter matado o cachorro!
O EXTRA: Foi registrado Boletim de Ocorrência?
TARCÍSIO: Sim. Inclusive eu me senti humilhado quando fui registrar o BO. Alguns dos policias que estavam na delegacia fizeram piadas sobre o que aconteceu, chegaram a dizer em tom de deboche que o PM tinha cometido “Cãomicídio”. A minha dor não foi respeitada.
16º BPM/I lamentou a morte do animal e esclareceu o ocorrido enviando uma nota oficial: Em Nota Oficial, Polícia Militar apresenta sua versão. Confira na íntegra: “Por volta das 20 horas o vigia reparou que o portão de uma residência da referida rua estava aberto, o que não era normal e o levou a suspeitar de uma invasão da residência por marginais e o acionamento da Polícia Militar através do número 190, sendo que a suspeita é plenamente justificada, bem como o acionamento da PM. Em razão disso a central de despachos de ocorrência do Batalhão acionou uma viatura com dois policiais para averiguar a denúncia, sendo que os policiais se dirigiram ao local não sabendo o que iriam encontrar, se seria uma ocorrência onde teria havido um furto (arrombamento e subtração de objetos sem a presença dos moradores) ou um roubo, onde poderiam estar no local marginais armados dispostos a, inclusive enfrentar a policia, o que não é raro, vide os noticiários diários na TV. Chegando ao local os policiais militares de fato encontraram o portão da residência aberto, sendo perfeitamente esperado que houvesse marginais no local e antes mesmo de adentrarem à residência sa- íram pelo portão aberto três cachorros de grande porte e agressivos que investiram contra os policiais que inicialmente recuaram, sendo que os três cachorros cercaram apenas um policial que chegou a gritar a fim de os espantarem, não obtendo sucesso e não restando outra alternativa a não ser efetuar um disparo no animal.
A atitude dos cachorros foi esperada, não é culpa deles, respondem a seu instinto de proteger seu território, respondem a seu treinamento, os cachorros saíram por um portão aberto para a calçada e se não encontrassem os policiais ali, poderiam ter encontrado pessoas da vizinhança, crianças. Por um acaso os animais se depararam com os policiais que estavam no local solicitados a averiguar um roubo à residência. A conduta do policial é esperada, foi surpreendido pela investida dos animais, não havia placa no portão da residência indicando que no local havia cachorros. O policial não é obrigado a, passivamente, ser cercado e atacado por cachorros de grande porte e agressivos. Os animais eram das raças “Pitbull cruzamento com Boxer”, um Pastor Alemão e um Rottweyler, com o instinto de proteger seu território e já é bem sabido o comportamento de raças como o Rottweyler e Pittbull, especialmente cruzamento com outras raças.
Quantos acidentes graves e até mesmo morte de pessoas e crianças já ocorreram por ataque de cachorros dessas raças que, supostamente, sempre foram mansos e dó- ceis? Ressalte-se, novamente, que os animais saíram para a rua e poderiam ter deparado com qualquer pessoa, homem, mulher ou criança, no caso depararam com policiais, havia um portão aberto, não havia placa indicativa na residência de que lá havia cachorros. Certamente a culpa não é dos animais e o Comando do Batalhão não está dizendo que o portão aberto foi culpa dos proprietários do imóvel e nem dos animais, e a culpa, também, não foi dos policiais. Foi elaborado um boletim de ocorrência na Delegacia de Polícia Civil, competente para investigar e apurar o caso e o Comando do 16º BPM/I irá instaurar um procedimento administrativo (Investiga- ção Preliminar) a fim de avaliar a conduta dos policiais. E mais uma vez, o Comando do 16º BPM/I lamenta a morte do animal e se solidariza com os seus proprietários.”

Para a dentista Ana, o animal era como se fosse um membro da família

Cão foi atingido pelo policial no último sábado (11)