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Após ministro da Agricultura criticar PF, países 'barram' carne
Após ministro da Agricultura criticar PF, países 'barram' carne
Suspensão, por ora, inclui União Europeia, China, Chile e Coreia do Sul
Suspensão, por ora, inclui União Europeia, China, Chile e Coreia do Sul
Da Redação
Na última sexta-feira (17), 33 fiscais envolvidos no mega esquema investigado pela Polícia Federal foram afastados sob suspeita de fiscalização irregular de frigoríficos e de liberar licenças fora dos padrões sanitários. No domingo (19), o presidente Michel Temer criou uma força-tarefa do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento que já colocou os 21 frigoríficos envolvidos na operação da Polícia Federal “Carne Fraca” sob regime especial de fiscalização.
O anúncio foi feito durante encontro com embaixadores dos 33 países que mais importam carnes do Brasil, no Palácio do Planalto. Temer queria acalmá-los, e, ao final da “reunião de emergência”, os convidou para um churrasco no Distrito Federal. O ministro Blairo Maggi (Agricultura, Pecuária e Abastecimento) chegou a criticar a PF por “erros técnicos” cometidos durante a operação “Carne Fraca”. CARNE BARRADA Países importadores anunciaram restrições à compra de carne brasileira após a operação “Carne Fraca” ser deflagrada. As medidas, por ora, incluem União Europeia, China, Chile e Coreia do Sul. A Comissão Europeia, braço Executivo da União Europeia, afirmou ontem (20) ter pedido “que as autoridades brasileiras suspendam da lista de exportadoras ao bloco as empresas investigadas pela Polícia Federal”.
O pedido foi feito para “efeito imediato”, segundo porta-voz para assuntos de segurança alimentar. “Era importante agir no momento”, informou. “Queremos ter a certeza de que apenas a carne com o controle apropriado chegará ao mercado europeu”. Quatro empresas brasileiras, ainda não especificadas, inclusive já estariam impedidas de exportar ao bloco europeu. Essa crise tem se desdobrado com velocidade, como observou a própria comissão em um comunicado oficial. Ainda na sexta-feira (17), o Executivo europeu havia enviado uma mensagem formal ao governo brasileiro pedindo esclarecimentos e uma lista das empresas envolvidas na investigação. O diálogo levou a uma intensa troca diplomática no final de semana. Durante o processo, o embaixador da União Europeia no Brasil, o português João Cravinho, disse haver “necessidade absoluta de um esclarecimento cabal”. A União Europeia também sugeriu que todos os seus Estados-membros incrementem o monitoramento da carne brasileira que chegue a suas fronteiras. O bloco econômico cobra detalhes sobre produtos das firmas investigadas que já estejam a caminho. Não está claro se os artigos serão barrados nos portos. Não há, porém, nenhum alerta quanto à carne brasileira que já está disponível dentro do mercado europeu.
IMPORTADORES
A UE é um dos principais compradores da carne brasileira - entre os importadores de carne bovina, o bloco lidera ao lado de Hong Kong, China, Egito, Rússia e Irã. O bloco importou 6,5 mil toneladas de carne bovina brasileira em fevereiro. A China também confirmou que suspendeu temporariamente, desde domingo (19), as importações. Segundo a agência Bloomberg, a suspensão durará, a princípio, uma semana e o produto será barrado nos portos chineses. Medidas semelhantes foram tomadas pelo Chile, cujo Ministério da Agricultura anunciou ontem que está “barrando temporariamente” a compra da carne. A Coreia do Sul, por sua vez, intensificou as fiscalizações da carne de frango importada do Brasil, banindo temporariamente a BRF, maior produtora de carne de frango do mundo. A BRF diz não ter sido notificada. Mais de 80% das 107 mil toneladas de frango importadas pela Coreia do Sul em 2016 vieram do Brasil, quase metade delas da BRF.
SUPERINTENDENTES EXONERADOS
O “Diário Oficial da União” trouxe nesta segunda-feira (20), a exoneração de dois superintendentes da Agricultura investigados pela Polícia Federal. Gil Bueno (Paraná) e Julio Cesar Carneiro (Goiás) exerciam suas funções em cargos de segundo e terceiro escalão, respectivamente.
* Com informações do Jornal Folha de S.Paulo e do Portal G1 - Globo.com