POLÍTICA
Escolas cívico-militares da região iniciam aulas nesta segunda-feira, 2 de fevereiro
Escolas cívico-militares da região iniciam aulas nesta segunda-feira, 2 de fevereiro
Unidades em Fernandópolis, Votuporanga, Rio Preto e outras cidades entram em operação no novo modelo educacional
Unidades em Fernandópolis, Votuporanga, Rio Preto e outras cidades entram em operação no novo modelo educacional

Depois de idas e vindas, disputas administrativas, questionamentos judiciais e decisões favoráveis e contrárias, está confirmado: na próxima segunda-feira, 2 de fevereiro, tem início oficial o ano letivo nas 100 escolas públicas estaduais escolhidas pelo governo Tarcísio de Freitas para a implantação do modelo cívico-militar.
A largada ocorre em um momento politicamente sensível. As “inaugurações” do programa se dão justamente no último ano do atual mandato estadual, período em que o governador é apontado como provável candidato à reeleição — ou até a um projeto nacional — e atendem a uma das principais bandeiras da ala conservadora que sustentou sua vitória nas urnas em 2022.
Na região, há unidades programadas em Fernandópolis, Votuporanga, São José do Rio Preto, Catanduva, Birigui, entre outros municípios, que passam a adotar um modelo inédito na educação paulista e que segue despertando debates técnicos, ideológicos e administrativos.
No discurso oficial, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) sustenta que o programa é pautado por valores como civismo, dedicação, excelência, respeito e honestidade. A pasta faz questão de frisar que não se trata de militarização do ensino, mas da incorporação de “valores cidadãos”, comuns a qualquer ambiente profissional.
Ainda segundo a secretaria, não haverá mudanças na matriz curricular. Todas as escolas do programa continuam vinculadas ao Currículo Paulista e às diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Os indicadores de avaliação também permanecem inalterados, incluindo Saeb, Saresp, frequência escolar e registros de ocorrências no sistema Conviva.
Para viabilizar o novo modelo em dezenas de escolas do interior, a Seduc-SP já concluiu a contratação dos monitores, com apoio da Secretaria da Segurança Pública (SSP) no processo seletivo. A participação da SSP se restringiu à verificação de conduta e à emissão de declarações sobre eventuais processos criminais ou administrativos, concluídos ou em andamento, envolvendo os candidatos.
Os monitores passaram por formação específica oferecida pela Escola de Formação e Aperfeiçoamento dos Profissionais da Educação (Efape), estruturada em cinco módulos:
A Seduc-SP reforça que os integrantes do núcleo militar não são considerados profissionais da Educação. A função é descrita como apoio institucional, com foco em segurança, acolhimento, diálogo e na construção de referências comportamentais no ambiente escolar.
Apesar do esforço do governo estadual em destacar padronização, limites de atuação e manutenção do currículo, o avanço das escolas cívico-militares continuará sob observação atenta de gestores, educadores e lideranças políticas. O impacto real do modelo — especialmente em indicadores de disciplina, evasão e desempenho — tende a ficar mais claro ao longo do ano letivo.
Até lá, a experiência paulista se consolida como uma das principais vitrines nacionais desse formato híbrido de gestão escolar.
Por: Beto Iquegami
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