POLÍTICA

Banco Master: previdências municipais da região entram na mira da Polícia Federal

Banco Master: previdências municipais da região entram na mira da Polícia Federal

Conheça quais são os fundos municipais envolvidos numa das maiores fraudes da história do Brasil

Conheça quais são os fundos municipais envolvidos numa das maiores fraudes da história do Brasil

Publicada há 1 hora

O avanço das investigações conduzidas pela Polícia Federal (PF), Procuradoria-Geral da União (PGU), Banco Central do Brasil (BCB) e Comissão de Valores Mobiliários (CVM) colocou institutos de previdência municipais do Noroeste Paulista no centro do escândalo envolvendo o Banco Master — um caso que já é tratado nos bastidores de Brasília como uma das maiores fraudes financeiras da última década.

Se, no início das apurações, apenas a previdência municipal de Santa Rita d’Oeste aparecia nominalmente nas investigações, o cenário mudou rapidamente. Hoje, ao menos oito institutos da região figuram entre os afetados, dentro de um universo de 28 entidades paulistas e cerca de uma centena em todo o país.

Investimentos de alto risco e baixa transparência

As aplicações questionadas foram realizadas por meio da compra de cotas de fundos vinculados ao Banco Master, que direcionavam recursos para:

  • empreendimentos imobiliários;
  • empresas com participação direta da família do banqueiro Daniel Vorcaro;
  • ações da Ambipar, que sofreram forte desvalorização após a empresa entrar em crise financeira e atrasar pagamentos a credores.

O resultado foi devastador para os cofres previdenciários: os títulos adquiridos tiveram desvalorização média de 57%, e os resgates, até o momento, não estão sendo liberados, sob alegação de baixa liquidez e inexistência de compradores no mercado secundário.

Institutos da região sob investigação

Os valores investidos chamam atenção — sobretudo pelo impacto direto sobre aposentadorias e pensões de servidores públicos municipais:

  • Birigui – R$ 1.342.440,00
  • Dirce Reis – R$ 71.313,00
  • Meridiano – R$ 41.600,00
  • Nova Castilho – R$ 77.256,00
  • Paranapuã – R$ 30.727,00
  • Santa Rita d’Oeste – R$ 2.055.930,00
  • Santo Antônio de Posse – R$ 134.193,00
  • Santo Antônio de Posse – R$ 294.346,00
  • São João de Iracema – R$ 118.856,00

(A duplicidade de Santo Antônio de Posse, segundo fontes, decorre de aplicações distintas em fundos diferentes.)

Alertas ignorados e cobrança de responsabilidades

O escândalo não surgiu do nada. Em 2024, o Ministério Público de Contas do Estado de São Paulo já havia alertado o Tribunal de Contas sobre o elevado risco dessas operações, recomendando fiscalização imediata e aprofundada.

À época, a Procuradoria insistiu para que gestores explicassem quais mecanismos haviam sido adotados para mitigar perdas, caso o banco não tivesse condições de honrar seus compromissos — exatamente o cenário que agora se confirma.

A Polícia Federal quer entender por que administradores regionais optaram por operações de alto risco, envolvendo recursos previdenciários, e se houve negligência, imprudência ou algo mais grave nas decisões.

O que está em jogo

Além da responsabilização criminal e cível, o caso terá inevitáveis desdobramentos políticos e administrativos. No fim da linha, quem paga a conta são milhares de servidores públicos municipais — ativos e aposentados — que veem seu futuro colocado em xeque por decisões tomadas longe do escrutínio público.

A dimensão do rombo ainda está sendo calculada, mas, nos corredores dos tribunais e órgãos de controle, o consenso é um só: a fatura será alta — e alguém terá de responder por ela.

Por: Beto Iquegami

Foto: Ilustração / Fonte: depositphotos.com / AndrewLozovyi

O texto é de livre manifestação do signatário que apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados e não reflete, necessariamente, a opinião do 'O Extra.net'.

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