OPINIÃO
Artigo: “DURA LEX, SED LEX” – A Lei é dura, mas é a Lei
Artigo: “DURA LEX, SED LEX” – A Lei é dura, mas é a Lei
Por: Pablo Dávalos - Engenheiro de Produção, MBA executivo em Gestão Industrial
Por: Pablo Dávalos - Engenheiro de Produção, MBA executivo em Gestão Industrial

Quando falamos de crianças nos vem a mente a pureza dos seus corações, o jeito meigo de olhar, a inocência com que descobrem a vida. É por isso que qualquer assunto ligado a criança nos impõe a necessidade de fazer o que for preciso para garantir todos os seus direitos e proteção dentro de um núcleo familiar. Crianças não devem e sequer podem lidar com os problemas de adultos, principalmente em um mundo tão caótico e pravo como o de hoje.
Na teoria o Estado fornece aparatos sociais capazes e especializados de realizar o acolhimento devido a crianças carentes, vítimas de mendicância ou violência. São esses aparatos o CREAS, CRAS, CONSELHO TUTELAR, VARA DA INFANCIA E JUVENTUDE. Mas na prática, o que vemos nas ruas cada vez mais, é a exploração da imagem infantil para garantir renda a familiares capazes de aniquilar seus valores morais próprios através do de poder parental exercido covardemente. Não precisamos ir longe, acredito que todos nós já vimos em semáforos de nossas ruas situações que causam comoção emocional e constrangimento, por termos a sensação de não podermos fazer nada. É claro que não estou incentivando e sequer me atrevendo a pedir que possamos ajudar pessoas em situações de vulnerabilidade com doações, pois sabemos muitas das vezes que a pessoa que se encontra nesse estado, dificilmente usará nossas doações para se recompor, pois em sua grande maioria estão dependentes quimicamente ou fisicamente de drogas ou álcool, o que gera um túnel sem fim de problemas sociais e emocionais em suas vidas. Contudo toda regra tem sua exceção, e em casos como estes é possível um dano colateral a pessoas em real necessidade que façam bom uso de nossas doações.
Qual é o papel do Estado, das prefeituras, dos vereadores diante disso? O que as assistentes sociais e defensores públicos podem fazer para colocarem em evidencia suas competências e auxiliar a comunidade a reparar este tipo de problemas?
Se muito se tem visto por parte dos órgãos responsáveis e poder público para encorajar denúncias de violência doméstica e assim evitar crimes hediondos, como feminicídio, violência contra a mulher, crimes psicológicos e de agressão à mulher, pouco vejo por parte dos mesmos órgãos para amenizar a violência que crianças, jovens e adolescentes sofrem através da exploração de suas imagens. Seja em redes sociais ou na vida física, pouca atuação se tem visto para defender a imagem imaculada de nossas crianças. Seriamos hipócritas se não estivéssemos sendo sinceros com nós mesmos ao dizer que nunca vimos mãe em ruas em situação de mendicância com crianças de pouca idade ou até mesmo bebes no colo. Devemos refletir, que a partir do momento que estamos sendo coniventes com situações assim e isso não intervém em nossos dogmas morais, temos um problema muito mais sério para lidar.
“Dura lex, sed lex” A lei é dura, mas é a lei. Nem sempre a lei pode vir em forma de justiça, sim ela existe, mas o câncer social e politico é capaz de ofuscar o que realmente é justo. Não é justo ver crianças de 07 anos, menos ou mais, passando fome, passando vontade de comer algo que muitas vezes compramos aos montes para nossos filhos. Se a lei é dura, mas é a lei, cabe sim ao Estado como garantidor de seu cumprimento, incentivar aparatos sociais, profissionais e sociedade a extinguir ou penalizar adultos que façam crianças lidarem com problemas de adultos. Não basta somente existir aparatos, mas que os profissionais dos mesmos vão à campo para fazerem seus trabalhos... o que não é difícil, afinal toda cidade tem semáforos e com certeza é muito mais fácil subir o vidro do carro, ligar o som e ar condicionado, do que enfrentar a realidade de ver uma criança pedinte.
Pablo Dávalos é Engenheiro de Produção, MBA executivo em Gestão Industrial – FGV, Especialista em solos e nutrição de plantas – USP, Especialista em PPCP black belt six sigma, consultor de negócios e empresário no ramo de agronegócios.
O texto é de livre manifestação do signatário que apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados e não reflete, necessariamente, a opinião do 'O Extra.net'.