CULTURA
Touro reprodutor de elite recebe nome de fóssil encontrado em Fernandópolis
Touro reprodutor de elite recebe nome de fóssil encontrado em Fernandópolis
Tourinho “Baurusuchus do Leblon” homenageia principal fóssil do museu de Paleontologia
Tourinho “Baurusuchus do Leblon” homenageia principal fóssil do museu de Paleontologia
Da Redação
Normalmente, um touro brasileiro da raça zebuína PO (Puro de Origem), após análises por profissionais especializados e credenciados, recebe um número de registro genealógico da Associação Brasileira de Criadores de Zebu (ABCZ), uma entidade com mais de 25 mil associados e autorizada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária para tal finalidade com cerca de 92 anos de história.
Os criadores de gado de elite registram seus animais selecionados de raças zebuínas nascidos no Brasil na ABCZ, conferindo-lhes um nome próprio e um sufixo específico de cada pecuarista.
José Roberto Giosa é um desses grandes criadores de gado de elite que procura registrar os seus touros reprodutores, mais especificamente da raça nelore mocho (sem chifres), nascidos em sua fazenda, Galiléia, situada em Paranaíba-MS. Inclusive, já foi homenageado pela ABCZ em Uberaba-MG, no ano de 2022, pela excelência genética de seu gado bovino.

José Roberto Giosa, um dos maiores criadores de touros da raça nelore mocho do Brasil. Foto: Arquivo pessoal
Visita e homenagem
Giosa visitou o Museu de Paleontologia de Fernandópolis em agosto de 2025 e ficou encantado com os fósseis. Por isso, resolveu prestar uma homenagem ao museu e ao seu curador, Prof. Cadu, registrando um bezerro (futuro reprodutor) com o nome de “Baurusuchus do Leblon” (veja no registro a seguir).

Registro do tourinho “Baurusuchus do Leblon” (apontado pela seta vermelha) como forma de homenagem ao principal fóssil do museu de Paleontologia de Fernandópolis
Baurusuchus é o principal fóssil do museu, um crocodilomorfo da época dos dinossauros que viveu em Fernandópolis e região há 85 milhões de anos. “Do Leblon” é o sufixo que o pecuarista Giosa utiliza para registrar os seus animais de elite.

Réplica e fóssil de Baurusuchus, crocodilomorfo da época dos dinossauros com 85 milhões de anos, encontrado em Fernandópolis e depositado no museu de Paleontologia da cidade. Foto: MPF
O "Tourinho"
O animal é grande para a sua idade, apenas 7 meses de vida, e, de acordo com o pecuarista Giosa, o “Baurusuchus do Leblon” possui características que o credenciam a ser, em um futuro breve, um ótimo touro reprodutor da raça nelore mocho. A veterinária Profª Drª Gabriela de Godoy Coco Arduino, médica veterinária formada pela Unesp de Jabotical e professora do Instituto Federal de São Paulo, Câmpus Avaré, especialista em avaliação de gado de elite, impressionou-se com o animal e disse: “Muito bonito o garrote, ótimo racial e garupa ampla, com costelas compridas. Vai fazer a diferença na criação”.
Há projeto de levar o tourinho “Baurusuchus do Leblon” para exposições agropecuárias, divulgando a pecuária de elite e o Museu de Paleontologia de Fernandópolis. “Quem sabe o Baurusuchus do Leblon será exibido na Exposição Agropecuária de Fernandópolis, ou de Paranaíba-MS, junto com o fóssil - e respectiva réplica - que inspirou o seu nome, para as pessoas tirarem fotografias e conhecer um pouco da pré-história da região Noroeste de São Paulo por meio dessa parceria interessante, Pecuária de Elite com Paleontologia”, destacou o Prof. Dr. Carlos Eduardo Maia de Oliveira (Prof. Cadu), curador voluntário do museu de Paleontologia de Fernandópolis.

Tourinho “Baurusuchus do Leblon” (raça nelore mocho), nome registrado em homenagem ao principal fóssil do museu de Paleontologia de Fernandópolis. Foto: Arquivo pessoal
Está presente em sua árvore genealógica do “Baurusuchus do Leblon” o famoso touro “Ornado do Leblon” (quem é da área conhece), grande campeão brasileiro na ExpoZebu de 2015, Uberaba-MG (o principal evento do país nesse ramo) na categoria nelore mocho. Esse touro campeão é “tio” do Baurusuchus do Leblon.
Como se percebe, o tourinho “Baurusuchus já nasceu em uma família de campeões.

Ornado do Leblon, touro nelore mocho premiado com o melhor touro da categoria no país em 2015 na ExpoZebu, em Uberaba-MG. Ascendente do Baurusuchus do Leblon, tourinho cujo nome foi uma homenagem ao principal fóssil do Museu de Paleontologia de Fernandópolis. Foto: Arquivo pessoal
História e presente
“Uma homenagem que nos deixa muito honrado em saber que o trabalho de todos que colaboram com o museu (Prefeitura de Fernandópolis, Secretaria da Cultura e Turismo, colaboradores voluntários e entusiastas da causa) está sendo reconhecido pela sociedade”, disse Prof. Cadu, que aproveitou o ensejo para agradecer de coração o pecuarista José Roberto Giosa pelo presente, dizendo que foi um dos melhores que ganhou em sua vida.
Isso mesmo! Giosa presenteou o Prof. Cadu com o tourinho. Um presente e tanto!

Na imagem, o Prof. Cadu encara um crânio de Baurusuchus adulto datado em 85 milhões de anos. Foto: Divulgação / MPF
Uma homenagem que valoriza essa grande descoberta da Paleontologia que foi o Baurusuchus, especialmente um exemplar juvenil, encontrado em Fernandópolis e que já foi objeto de publicação em revista científica internacional e também tese de doutorado e, atualmente, encontra-se em exposição no Museu de Paleontologia de Fernandópolis.