OPINIÃO
Artigo: Violência doméstica: prevenir em seu mais amplo sentido
Artigo: Violência doméstica: prevenir em seu mais amplo sentido
Por: Pablo Dávalos - Engenheiro de Produção, MBA executivo em Gestão Industrial
Por: Pablo Dávalos - Engenheiro de Produção, MBA executivo em Gestão Industrial

Uma das grandes dificuldades em países com dimensões transatlânticas como o Brasil é sancionar leis e ao mesmo tempo fiscaliza-las. Com o avanço absurdo do feminicídio atualmente, órgãos de proteção e defesa da mulher, ministério público, poder municipal e federal tem se mobilizado para enrijecer leis que possam coibir ações que possam chegar a esse tipo de crime que tem assolado a sociedade e amedrontado lares. A maior dificuldade diante disso, não tem sido a conscientização ou o trabalho comunitário em esferas civis, acadêmicas ou de segurança publica para extinguir a pratica, muito pelo contrário isso tem funcionado, mas o fato de lograr fiscalizar, acompanhar e desenvolver mecanismos ou dispositivos que se tornem aliados no cumprimento da lei em vigor.
Tornozeleira eletrônica, botão de pânico ou aplicativos que facilitem o acionamento de policias militares, guarda civil municipal ou órgãos de apoio em caso de vítimas que possuam medidas protetivas e perceberem a aproximação do agressor, tem se mostrado eficientes desde sua implantação e salvam vidas, mas são onerosos e demandam uma equipe multiprofissional para acompanhar, fiscalizar e manter informações na rede em tempo real, o que acaba por se tornar um problema de eficácia. É valido ressaltar ainda que em casos de feminicídios os ataques na sua grande maioria ocorrem em questão de segundos, impedindo qualquer ação imediata de prevenção por parte da polícia devido à impossibilidade da vitima chegar a pedir socorro.
Em situações de agressores já mal-intencionados a violência extrema é consumada levando ao trágico óbito de centenas de mulheres vítimas do descumprimento de medidas. Vejamos, dispositivos servem para alertar, mas não impedem a aproximação. Nesse sentido, o fator tempo é fundamental. Embora cada pessoa possa contribuir para o combate a violência de gênero ou qualquer tipo de violência, muitas das vezes nos sentimos no papel de espectadores esperando com o passar do tempo o que virá a acontecer. E no cruzar de braços o problema só tem aumentado. Cada vez mais ouvimos frases como “educar homens e meninos para o combate ao machismo e a cultura de ódio contra mulheres” se faz necessário desde o ensino fundamental, quanto aos meninos e gerações futuras concordo, mas educar pessoas já em sua fase adulta, capazes de discernir sobre seus atos se torna dificultoso e em boa parte dos casos de violência contra a mulher, os agressores são obrigados a participar de projetos que buscam gerar reflexão e promover mudanças em seus comportamentos através de grupos, ongs e assistência psicológica.
Estamos acostumados a lidar com problemas somente após acontecerem e não deveria ser assim. Se somos maus condutores, ao atingir 40 pontos por infrações de transito, perdemos nosso direito de dirigir a somos obrigados a fazer um curso de reciclagem para poder voltar a ter o direito de circular pelas ruas dirigindo um veículo. Essa é a questão, somente após atingirmos 40 pontos em nossas carteiras de motorista, ou seja, infringir muitas regras de trânsito e possivelmente por sorte do destino não nos envolvermos em casos de acidentes fatais, é que temos a nossa CNH suspensa. Mesmo assim, fazendo um curso temos ela de volta. Passa a impressão de que remediar é melhor do que prevenir e não faz sentido. Estamos acostumando a sociedade de que remediando para prevenir não é tão ruim como parece.
Penso que devemos impedir de todos os modos possíveis a pratica de violência doméstica, e não devemos nos arriscar esperar a agressão bater na porta, pois já vimos que esperar pode ser tarde. Não se espere o primeiro sinal de luz amarela para depois a mulher ou vítima de violência acionar a luz vermelha. Sugiro e acredito piamente que, se todos os homens, na vida adulta fossemos OBRIGADOS a participar de projetos, palestras, cursos, reciclagem de como devemos evitar atos que possam ofender as mulheres, com certeza não estaríamos lidando com uma epidemia cada vez mais crescente de atos contra violências de gênero em suas mais distintas formas.
Não esperamos o ladrão entrar em nossas casas, antes instalamos alarmes, câmeras. Não esperamos nos envolver em acidentes de veículos, antes contratamos uma empresa seguradora. Não esperamos falecer por doenças, antes fazemos exames preventivos, não esperamos acontecer algo, antes disso nos preparamos para evitarmos que aconteça. Por que estamos esperando mulheres serem mortas, espancadas, humilhadas para somente depois pensar na prevenção?
Porque estamos vislumbrando o problema que estamos enfrentando, estamos iludidos com a falsa promessa de prevenção, quando na realidade o melhor remédio é não deixar acontecer e sequer pensar que aconteça. Remediar nunca será melhor do que prevenir, e quando digo prevenir me refiro a PREVENÇÃO no seu mais amplo sentido, neste caso, pensar em formas de prevenção que tornem possivel a participação em massa de todos os homens para criar sinergia, conscientização, engajamento e exterminar de vez com a pandemia de feminicídios do nosso Brasil e no mundo.
Pablo Dávalos é Engenheiro de Produção, MBA executivo em Gestão Industrial – FGV, Especialista em solos e nutrição de plantas – USP, Especialista em PPCP black belt six sigma, consultor de negócios e empresário no ramo de agronegócios.
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