Crônica: O velho samurai - A 'históra' de uma lenda japonesa

Crônica: O velho samurai - A 'históra' de uma lenda japonesa

Leia também: A bagagem da verdadeira viagem: a morte!

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Publicada há 2 dias

Minutinho: A bagagem da verdadeira viagem: a morte!

Por: Pascal

“O homem só possui em plena propriedade aquilo que lhe é dado levar deste mundo. Do que encontra ao chegar e deixa ao partir goza ele enquanto aqui permanece. Forçado, porém, que é a abandonar tudo isso, não tem das suas riquezas a posse real, mas, simplesmente, o usufruto. Que é então o que ele possui? Nada do que é de uso do corpo; tudo o que é de uso da alma: a inteligência, os conhecimentos, as qualidades morais. Isso é o que ele traz e leva consigo, o que ninguém lhe pode arrebatar, o que lhe será de muito mais utilidade no outro mundo do que neste. Depende dele ser mais rico ao partir do que ao chegar, visto como, do que tiver adquirido em bem, resultará a sua posição futura.

Quando alguém vai a um país distante, constitui a sua bagagem de objetos utilizáveis nesse país; não se preocupa com os que ali lhe seriam inúteis. Procedei do mesmo modo com relação à vida futura; aprovisionai-vos de tudo o de que lá vos possais servir.

Imagem: Ilustração / Gemini

Ao viajante que chega a um albergue, bom alojamento é dado, se o pode pagar. A outro, de parcos recursos, toca um menos agradável. Quanto ao que nada tenha de seu, vai dormir numa enxerga.

O mesmo sucede ao homem, à sua chegada ao mundo dos Espíritos: depende dos seus haveres o lugar para onde vá. Não será, todavia, com o seu ouro que ele o pagará. Ninguém lhe perguntará: Quanto tinhas na Terra? Que posição ocupavas? Eras príncipe ou operário? Perguntar-lhe-ão: Que trazes contigo? Não se lhe avaliarão os bens, nem os títulos, mas a soma das virtudes que possua. Ora, sob esse aspecto, pode o operário ser mais rico do que o príncipe. Em vão alegará que antes de partir da Terra pagou a peso de ouro a sua entrada no outro mundo. Responder-lhe-ão: Os lugares aqui não se compram. Conquistam-se por meio da prática do bem. Com a moeda terrestre, hás podido comprar campos, casas, palácios; aqui, tudo se paga com as qualidades da alma. És rico dessas qualidades? Sê bem-vindo e vai para um dos lugares da primeira categoria, onde te esperam todas as venturas. És pobre delas? Vai para um dos da última, onde serás tratado de acordo com os teus haveres.”

Crônica: O velho samurai

Por: Autoria desconhecida

Perto de Tóquio vivia um grande samurai, já idoso, que se dedicava a ensinar zen aos jovens.

 Apesar de sua idade, corria a lenda de que ainda era capaz de derrotar qualquer adversário.

 Certa tarde, um guerreiro conhecido por sua total falta de escrúpulos apareceu por ali.

 Queria derrotar o samurai e aumentar sua fama.

 O velho não aceitou o desafio e o jovem começou a insultá-lo.

 Chutou algumas pedras em sua direção; após cuspiu em seu rosto; gritou insultos e até ofendeu seus ancestrais.

Durante horas fez tudo para provocá-lo, mas o velho permaneceu impassível.

No final da tarde, sentindo-se já exausto e humilhado, o impetuoso guerreiro retirou-se. Partiu sem o embate que queria.

 Desapontados, os alunos se aglomeraram e perguntaram ao mestre como ele pudera suportar tanta indignidade.

 - Se alguém chega até você com um presente, e você não o aceita, a quem pertence o presente? Eis a indagação do velho samurai.

 - A quem tentou entregá-lo, respondeu um dos discípulos.

 - O mesmo vale para a inveja, a raiva e os insultos, respondeu o mestre.

 - Quando não são aceitos, continuam pertencendo a quem o carregava consigo. A sua paz interior depende exclusivamente de você. As pessoas não podem lhe tirar a calma. Só se você permitir.

O texto é de livre manifestação do signatário que apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados e não reflete, necessariamente, a opinião do 'O Extra.net'.

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