EM URÂNIA
Após prisão de Saracuza, Polícia Federal investigará compra de votos
Após prisão de Saracuza, Polícia Federal investigará compra de votos
Justiça Estadual de Urânia, em atendimento à representação da PF de Jales e concordância do MPE, converteu as prisões temporárias - expedidas semana passada - em preventivas e mandou prender m
Justiça Estadual de Urânia, em atendimento à representação da PF de Jales e concordância do MPE, converteu as prisões temporárias - expedidas semana passada - em preventivas e mandou prender m
Da Redação
Policiais federais de Jales cumpriram na manhã desta terça-feira (04), mais um mandado de prisão preventiva na cidade de Urânia. A ação é decorrência das investigações relativas à operação Repartição, que investiga desvios de recursos públicos provenientes da repatriação federal. Na quinta-feira passada (30), o ex-prefeito Francisco Airton Saracuza, dois ex-assessores jurídicos, F.A.P. e R.R.C.B., e o chefe de RH, A.G.J., foram presos temporariamente por 5 dias, mas agora a prisão foi convertida em preventiva e eles ficarão presos por tempo indeterminado, a critério da Justiça.
B.C.S, ex-servidor do setor de recursos humanos (RH) do município, foi preso ontem de manhã em sua casa, também na cidade de Urânia. Ele foi conduzido coercitivamente na deflagração da operação, foi interrogado, caiu em contradição e depois disse que desejava permanecer em silêncio. B.C.S. foi apontado por outros servidores como sendo o verdadeiro chefe do RH da Prefeitura. A.G.J., suposto ex-chefe do RH, preso desde a última quinta-feira, confessou que embora figurasse como chefe do setor e servidor da Prefeitura há vários anos, “na verdade não trabalhava na Prefeitura e eventualmente era chamado por para assinar alguns documentos no setor de RH e assinar seu contracheque”. Era um verdadeiro funcionário “fantasma” do Executivo municipal.
Nos documentos apreendidos na residência de A.G.J., os federais localizaram recibos de pagamentos de salário como Chefe de Departamento de Agronegócios no ano de 2013, Chefe do Setor da Saúde no ano de 2014 e desde 2015, Chefe do Setor de Recurso Humanos. Apesar de não trabalhar na Prefeitura durante todos esses anos, ocupou várias funções de chefia e foi um dos beneficiados com o recebimento dos salários, décimo-terceiro, além de outras verbas trabalhistas no final de 2016, enquanto o restante dos servidores não receberam sequer os salários do mês. Na residência do ex-prefeito foi encontrado um farto material relativo à campanha eleitoral do último ano em Urânia. Uma relação contendo centenas de nomes de supostos eleitores com indicação de pagamentos foi encontrada e poderá ser objeto de investigação eleitoral, a critério da Justiça Eleitoral, com o objetivo de esclarecer possível compra de votos com recursos da Prefeitura no decorrer da campanha do ano passado.
Além dos R$ 300 mil pagos em verbas rescisórias trabalhistas suspeitas no último dia de 2016, também estão sendo investigados mais de R$ 100 mil em pagamentos a fornecedores no último dia do ano bem como o pagamento de horas extras a servidores próximos do ex-prefeito no período que antecedeu as eleições. Suspeita-se que os valores podem ter sido utilizados para o pagamento de despesas da campanha dos candidatos que eram apoiados pelo ex-prefeito. A PF informa que as investigações prosseguirão com o objetivo de encontrar novas provas, identificar outros possíveis crimes cometidos no período em que Saracuza permaneceu administrando o município bem como a possibilidade de devolução aos cofres públicos dos valores que eventualmente tenham sido desviados criminosamente da Prefeitura de Urânia. O ex-prefeito, os advogados e os ex-diretores de RH poderão responder pelos crimes de desvio de verba pública, peculato e associação criminosa, com penas que podem chegar até 25 anos de reclusão.

Ex-prefeito de Urânica, Francisco Saracuza (foto), e quatro ex-assessores, jurídicos e de RH, tiveram prisão preventiva decretada nesta terça-feira pela Justiça Estadual