Por João Leonel

O sonho acabou! “Os Sonahdores” conta os dias para encerrar as atividades. Marcos Vilela, ao fechar as portas da sede do projeto, confidenciou: “Amanhã não sei se vou abrir”. Acima, apresentação de músicos dos “Sonhadores” na última sexta-feira, na recepção da “II Confraternização Municipal”, realizada no Plaza Eventos. Pode ter sido a última! Quem viu...
Projeto social que levou o nome de Fernandópolis para todo o Brasil, tema de programas televisivos como "Globo Repórter", entre outros, "Os Sonhadores" está prestes a fechar as portas. E a situação de outras entidades assistenciais que auxiliam adolescentes e pessoas com diversas deficiências também é crítica no município. Particularmente quanto aos "Sonhadores", atualmente presidido por Sueno Sato, o coordenador geral, idealizador e fundador do projeto, Marcos Vilela, confirmou que o momento é delicado. "Se deixar para depois, pode ser tarde. Tive que demitir 7 profissionais - assistente social, psicólogas, funcionários da coordenadoria e administração -, ou seja, voltamos à estaca zero", desabafa Vilela, ou "Marcão", como é conhecido em toda a cidade.
Com o quadro de funcionários esvaziado, na sede dos "Sonhadores" há aulas de violão, para pequenos grupos de jovens, sendo que os trabalhos são acompanhados por colaboradores que atuam como voluntários. Ao todo, 80 crianças e adolescentes não contam mais com o almoço que era servido pela entidade. "Se não fosse o auxílio que a Cida dos Supermercados Pessotto nos dá, fornecendo pães, mortadela e carne moída, nem o lanche teríamos. Mas o que me mais me entristece é que a convivência, o acompanhamento social e dos psicólogos não existem mais, os jovens não têm mais esse amparo, que, para muitos deles, era um diferencial fundamental em suas vidas, um divisor de águas para o futuro. A maioria dos nossos instrumentos está encostada. Violões, violinos. Tudo sem manutenção, sem ser utilizado. Nosso 'sonho' acabou", conclui Marcão. "Os Sonhadores" sempre encontrou sustentação no espírito solidário da sociedade fernandopolense. No auge das atividades do projeto social, 130 crianças e adolescentes chegaram a ser assistidas. Com sua sede localizada no entorno dos Bairros Jardim Barbosa, Jardim Brasília e Brasilândia, o projeto social nunca se limitou a esta região, e sempre esteve aberto a crianças e adolescentes dos quatro cantos da cidade.
NASCIA OS SONHADORES
Há 22 anos, acompanhando o sofrimento de seu filho Guilherme, recém-nascido e enfrentando uma grave doença, Marcos Vilela decidiu dedicar-se ao trabalho voluntário, voltado a crianças e adolescentes carentes. O apoio à iniciativa foi fundamental para o surgimento dos "Sonhadores". Apoio que vinha de todos os setores da sociedade, do bairro onde reside, Jardim Brasília, de bairros próximos, de políticos da cidade, juízes e promotores. Dr. Evandro Pelarin, que hoje atua em Rio Preto, foi um importante colaborador.
Atualmente, a dedicação de "Marcão" - que é motorista do Fórum -, ao projeto social chama a atenção de outro juiz, Dr. Renato Soares de Melo Filho. "Seria extremamente importante que a comunidade local, tanto empresários quanto o poder público, se sensibilizasse com as carências de várias entidades beneficentes, como é o caso do projeto 'Os Sonhadores'. Eu conheço o Marcão que toca esse projeto com extrema honestidade, com extremo zelo, e auxilia dezenas e dezenas de menores. Então é fundamental que a sociedade dê respaldo para a continuidade desse projeto", declarou Renato Soares.

"O sonho acabou transformando o sangue do cordeiro em água, derretendo a minha mágoa, derrubando a minha cama", canta Gilberto Gil. O fim dos "Sonhadores" simboliza "um sonho que se sonha só", tornando "pesado demais o sono para quem nunca sonhou". Marcão, para reverter essa situação, pede, além de ajuda, a companhia daqueles que estiverem dispostos a "ousar sonhar", pois todos nós sabemos que um "sonho que se sonha junto, vira realidade"