Em seu artigo Se as escolas querem apenas ensinar matéria, a sociedade não precisa delas (30/05/17), a psicóloga e colunista da Folha de SP Rosely Sayão defendeu a ideia de que cabem às escolas, sim, “contemplar o ensino da convivência”, ensinar “valores e costumes”, e testar também a educação familiar, posteriormente, de forma pública, onde as crianças e os jovens aprenderão “o comportamento de modo diferente”.
De fato, isso já se tornou uma prática verdadeira e uma crença incontestável. A meu ver, tudo isso é importante. Porém, o que Rosely Sayão se esqueceu de mencionar é que muito mais do que a sociedade precisar das escolas, é acreditar que se precisa delas para tudo.
As mudanças de costumes que envolvem a Educação têm pouco efeito inversamente; ou seja, quando as escolas, de fato, terão força para transformar, ou de pelo menos acompanhar as mudanças socioculturais?
George R. R. Martin puxa sua história para uma coisa que beira o realismo fantástico
A resposta por meio do ensino/aprendizagem (para além das matérias, digo) é sempre lenta, senão ineficaz.
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Beren e Lúthien, obra inédita de J.R.R. Tolkien, autor de O senhor dos anéis, é publicada após cem anos.
Que me perdoem os fãs de Tolkien, quando tentei ler O senhor dos anéis não passei do primeiro volume. E, cá entre nós, os filmes adaptados já estão de bom tamanho para mim.
Mas nem tudo está perdido. Para os fãs de autores cujos nomes estão sempre abreviados, declaro que, além da série, estou me deleitando (e acreditem, quase terminando) a leitura de As crônicas de fogo e gelo, de George R. R. Martin.
E qual a diferença que entrevejo entre ambos os livros? Que a fantasia de Tolkien me cansa. Talvez seja culpa minha, não vou negar.
Mas Martin (não vou ficar repetindo os nomes inteiros para ter de abreviá-los constantemente) puxa sua história para uma coisa que beira o realismo fantástico – claro que não faço menção aqui ao mesmo realismo fantástico de que se utilizava em sua escrita Gabriel García Márquez e outros.
Martin escreve muito bem, e diria mais: como herdeiro de Tolkien, superou o mestre.
Enfim, o que mais posso dizer?
Que depois deste texto eu tenha perdido um bom tanto de leitores e ganhado alguns novos inimigos.
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Aforismo sem juízo
Escreveu certa vez Daniel Piza: “O arrogante desfia certezas. O petulante as desafia”.
Basta saber quem sou, o arrogante ou o petulante?
Deixo a resposta a cargo do leitor.
Bom fim de semana a todos.