HISTÓRIAS DO T

Calma, isso acontece com todo mundo

Calma, isso acontece com todo mundo

Por Claudinei Cabreira

Por Claudinei Cabreira

Publicada há 8 anos


Quem pensa que lapsos de memória só acontecem com pessoas de mais idade, digamos, gente lá do Tempo do Botinão da antiga Casa Douglas, pode ir tratando de tirar o cavalinho da chuva. Quem por exemplo, nunca trocou um carrinho de compras num supermercado ou esqueceu onde deixou o carro estacionado, atire a primeira pedra!


E também não vá pensar que isso é falta de memória, coisa desses tempos modernos e atribulados onde todo mundo vive na correria; não. Pra começo de conversa, isso não é falta de memória, é pura distração e acontece com todo mundo, de mamando a caducando, desde que o mundo é mundo. A lista de exemplos é longa e bem divertida.


 Lembro que quando era pequeno, às vezes tinha que ir até a mercearia comprar alguma coisa para minha mãe, então ia pela rua repetindo o nome das coisas para não esquecer. E quando me esquecia, era preciso voltar até a “venda”, mas desta vez com um pedaço de barbante ou um fiapo de palha, amarrado no dedo da mão pra não esquecer. Era uma simpatia e tanto. Acredite, a coisa funcionava.


No final do ano durante um encontro em família, bastou alguém da turma tocar no assunto e pronto: todo mundo tinha uma história engraçada para contar. Uma das cunhadas, moça culta e ainda bem jovem, contou que certa vez fazendo compras num mercado aqui da cidade, quando chegou na boca do caixa e começou passar a compra, notou que haviam produtos estranhíssimos no seu carrinho, coisas que não estavam na sua lista e coisas que jamais compraria. Desconfiou que algo estava errado. E estava mesmo.


Meio que embaraçada com aquela inusitada situação, olhou para os fundos do estabelecimento e viu um sujeito careca andando afobado de um lado para outro, olhando para todos os cantos e corredores como se estivesse procurando algo. Era, claro, o dono do carrinho de compras que ela havia levado por engano. Ela mesma, outra ocasião,, esqueceu o carro próximo ao local de trabalho e só se foi dar conta disso quando chegou em casa e desconfiou que havia esquecido alguma coisa.

Foi aí que o marido, aproveitando a deixa, disse que em certa época da sua juventude tinha um Fuscão e quando saiu do trabalho entrou no carro e ao bater a chave no contato, notou que algo estava muito estranho. O volante do seu fusca era pequeno, esportivo e o daquele carro era enorme. Olhou para o banco detrás e viu pacotes e coisas que não eram suas. Rapidinho disfarçou a gafe e saiu de fininho de dentro do carro, que inclusive era da mesma cor e modelo que o dele, que estava estacionado logo adiante.


Será que você nunca foi até a geladeira e quando chegou lá, abriu a porta e depois não lembrava o que foi buscar? Por falar nesses tipos de distrações, um amigo nosso certa vez estava fazendo compras em uma quitanda da cidade. Colocou todos os produtos num carrinho desses de supermercado e levou até a calçada e depositou a compra na carroceria da camioneta. Levou o carrinho de volta e quando voltou pra calçada ,“sua” camioneta havia sumido. O distraído colocou a compra numa picape que não era a dele. Pode uma coisa dessas? Pode!


Certa ocasião, lá pelos anos setenta, meu saudoso  pai e meu tio Gudo estavam trabalhando numa reforma de casa. Era preciso comprar alguma coisa miúda numa casa de materiais de construção e meu pai pediu que meu tio fizesse isso. “Pega minha bicicleta e vai lá no Bim”. E lá se foi o tio Gudo no lombo da magrela. Como não encontrou o que procurava, rumou para o Sgotti. Chegando de volta no local da obra, meu pai estranhou; “Uai Gudo, o que aconteceu com a minha bicicleta?”, perguntou o “seo” Gabriel. Ora, não aconteceu nada, sua bicicleta está aqui, não tá vendo? . E meu pai esbravejou: “Mas essa não é a minha bicicleta!”


Lá vai o Tio Gudo de volta com aquela bicicleta até o Sgotti, onde um sujeito estava desesperado e se descabelando porque algum “filho da mãe” havia “roubado” sua magrela. Enfim amigo, remédio para esse tipo de problema, só tem um: rir muito e ponto final. Semana que vem tem mais. Até lá.




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