A coluna publicada semana retrasada prenunciava o teor da atual: a ética em Kant.
Autor do século XVIII – Século das Luzes -, o germânico-prussiano publica uma obra que é um divisor de águas na Filosofia: “A Crítica da Razão Pura”. Lançada em 1781, a obra tem o propósito de apartear e elucidar um debate que percorreu o século anterior e aquele de sua primeira edição. Desde o século XVII o pensamento intelectual europeu dicotomizava-se entre àqueles que defendiam o racionalismo de Descartes e outros que eram favoráveis ao empirismo de Bacon, Locke e Hume.
Vale frisar: para Descartes a razão é o instrumento com o qual desvelo a luz. Para os empiristas é necessária a mediação da experiência. Acrescentando-se a ponderação de Hume, quanto a afetação dos sentidos no resultado.
Coube a Imanuel Kant, por meio de sua “Crítica”, estabelecer que não se tratava de um ou de outro. Todavia, de ambos. Quer dizer, para ele o conhecimento é obtido inicialmente por meio da experiência. No entanto, aquilo passa a compor um repertório. Fixa-se na mente. Logo, ao apreendermos por meio da experiência, construímos uma cognição, a qual trazemos de antemão, ou, a priori, para nos utilizarmos do vocabulário kantiano. Novas experiências produzirão conhecimentos a posteriori.
A formulação lançada em meio ao “Século das Luzes”, dentro do qual ocorriam debates acerca dos chamados “direitos naturais”, a liberdade civil, no bojo das “Revoluções Burguesas”, emerge uma questão: E a Ética?
Evidente: a construção de Kant constituir-se-á a partir de suas elucubrações. A ética deve partir da razão, todavia, a observação, a experiência cotidiana, devem elidi-la. Kant parte do conceito de “Imperativo Categórico”, isto é, uma máxima moral que se ergue com base na racionalidade. Utilizemo-nos de seu próprio exemplo: “Não matar”. Um imperativo, à luz da razão, por si só nos basta para não o fazer. Não há muito a se teorizar. É o óbvio cotidiano. Ao me nos deveria ser.
Assim, Kant nos ensina que a Ética é a capacidade de se “fazer o bem” – para ele uma prova da existência de Deus -, com base em preceitos racionais.
Em outras palavras: se o humano fosse capaz de agir – no sentido ético do termo – pautado na razão, seria possível a convivência. A racionalidade, ética e moralmente, nos livraria da mesquinhez, da ganância, da sordidez, do aviltamento do outro, traços que caracterizam o “homo sapiens”.
Vale lembrar: Kant é o topo do quarteto de filósofos que formam a “Filosofia Clássica Alemã” ou o “Idealismo Alemão”. O nome idealismo é um índice definitivo para nos postarmos ceticamente diante de suas premissas.