3 PONTOS

Bebê terá documento sem identificação de sexo para decidir gênero quando crescer

Bebê terá documento sem identificação de sexo para decidir gênero quando crescer

Publicada há 8 anos

Marcela Barbar / Lívia Caldeira 


“Bebê terá documento sem identificação de sexo para decidir gênero quando crescer”. Essa notícia foi circulada no mundo todo nesta semana, gerando diversas discussões sobre o assunto. Trata-se de um fato inédito: o bebê canadense de oito meses é provavelmente o primeiro caso no mundo de um recém-nascido com um documento oficial em que seu gênero não é identificado. O cartão de saúde da criança foi emitido pelo governo com a letra "U" no espaço reservado para "sexo", o que pode ser interpretado em inglês como undetermined (indeterminado) ou unassigned (não atribuído). Atualmente, o tema já é alvo de debate em muitos lugares, onde estão sendo revistas políticas para incluir uma terceira possibilidade, uma opção de gênero não binário, em documentos oficiais, o que vem causando polêmicas pelo mundo. Este é o tema da coluna “3 PONTOS” desta semana, que traz diferentes pontos de vista a respeito do assunto, confira:




“Quebra de paradigmas” 



Em tempos intolerantes como estes que vivemos, com uma onda de conservadorismo enorme querendo regredir as conquistas alcançadas ao longo da história, a quebra de paradigmas significa muito mais que o ato em si. O simbolismo da não inserção do sexo do bebê num documento oficial é mais do que um avanço sobre um conceito específico, mas sim uma verdadeira mostra de como cada vez mais o Estado deve deixar de interferir em questões relativas à individualidade de cada um. Quanto mais decisões o indivíduo puder tomar de maneira independente - a partir de quando tiver condições intelectuais para isso-, mais a sociedade estará caminhando para a evolução, respeitando escolhas e, principalmente, dando o direito irrestrito para que essas escolhas aconteçam.


(Gustavo Jesus – jornalista)




“Pais egocêntricos”



Pra mim, são pais que querem pagar de desconstruídos, mas estão sendo egocêntricos em não pensar na criança. Todo mundo nasce com um gênero, já pré-destinado, deixar com que a criança escolha ser homem ou mulher, só afeta o psicológico dela. A vontade da mudança de sexo vem com o tempo, não é uma escolha, é algo que já nasce contigo.


(Aline Sousa – repórter e editora)




“Sou a favor”



A escolha dos pais no momento do nascimento pode criar barreiras na vida de uma criança. A sociedade está acostumada a dividir o sexo em duas categorias distintas, por exemplo, desde o nascimento aprendem que devem desempenhar "papéis opostos", mas quando não se encaixam no que a sociedade espera, são julgados.


(Alan Carvalho – estudante)






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