David Uip

Os 20 anos da Central de Transplantes em SP

Os 20 anos da Central de Transplantes em SP

David Uip - Infectologista

David Uip - Infectologista

Publicada há 8 anos

O primeiro transplante de órgãos no Brasil aconteceu no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, na capital paulista em 1968. O transplante de coração feito pela equipe do professor Euriclydes de Jesus Zerbini foi bem sucedido, porém o paciente João Ferreira da Cunha veio há falecer 28 dias após a cirurgia. Somente em 1997 o Brasil e o Estado de São Paulo criaram um sistema de transplantes normatizado, com regras para a distribuição dos órgãos captados de doadores-cadáveres, conforme critérios cronológicos, de compatibilidade e de gravidade.


Ainda naquele mesmo ano o país aprovou uma lei que tornou cada cidadão brasileiro um doador presumido de órgãos, mas, os médicos e enfermeiros responsáveis em cada hospital continuaram respeitando a autorização dos familiares. Até então a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo era quem enviava os órgãos para as equipes transplantadoras nos hospitais, e estas é quem definia qual paciente receberia o transplante. Com a implantação do Sistema Estadual de Transplante, agora quem cuida das doações de órgãos é o Estado, baseando-se nas normas vigentes.



 A Central de Transplantes estadual, que acaba de completar duas décadas de existência, utiliza um software que cruza os dados de doadores informados pelas equipes médicas com a relação da fila de espera de pacientes cadastrados. Em 20 anos, a Central de Transplantes paulista contabiliza mais de 100 mil doações de órgãos e córneas em todo o Estado de São Paulo. O número de doadores-cadáveres no Estado teve um aumento de 916%; de apenas 83 em 1997 para 844 em 2016, ano em que São Paulo bateu recorde de doações. O Estado de São Paulo conta hoje com 10 OPOs (Organizações de Procura de Órgãos). Elas são responsáveis pela captação de doadores em um grupo de hospitais de suas regiões de abrangência. O governo investe $3 milhões por ano para garantir melhorias na área. Há, sim, motivos para celebrar os 20 anos do Sistema Estadual de Transplantes, mas não podemos baixar a guarda. Sensibilizar as famílias de potenciais doadores é uma missão diária, em todos os hospitais, para ajudar a salvar vidas.




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