Carlos Eduardo

Transmissão do vírus da AIDS aumenta entre os jovens brasileiros

Transmissão do vírus da AIDS aumenta entre os jovens brasileiros

Por Carlos Eduardo Maia de Oliveira - Professor e Biólogo

Por Carlos Eduardo Maia de Oliveira - Professor e Biólogo

Publicada há 8 anos

        Os jovens não estão usando camisinha nas relações sexuais, não estão se protegendo adequadamente, subestimando o perigo das doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), que podem causar sérias consequências à saúde humana, como má-formação do feto, surdez, cegueira e deficiência mental, ocasionados pela sífilis, o câncer no colo do útero, relacionado ao Papilomavírus humano (HPV) e a possibilidade de conviver para o resto da vida com uma síndrome incurável e potencialmente letal – a AIDS.


            De acordo com dados do Ministério da Saúde publicados no dia 21 de fevereiro de 2017, os casos de HIV/AIDS aumentaram inacreditáveis 85% nos últimos dez anos entre pessoas de 15 a 24 anos de idade. Cabe destacar a diferença entre uma pessoa soropositiva para o HIV (sigla do vírus causador da AIDS) e um paciente que está com AIDS. Uma pessoa soropositiva para o HIV possui o vírus em seu organismo, mas ainda não exibe os sinais e sintomas da enfermidade; um paciente com AIDS possui o vírus HIV e sofre as manifestações clínicas da síndrome. No primeiro caso, o tratamento adequado aumenta a sobrevida do paciente, podendo inibir a instalação da doença, caso não seja interrompido. No segundo caso, se o paciente não se tratar, possivelmente sofrerá as consequências devastadoras da enfermidade, dentre elas a morte. A má notícia é que tanto o soropositivo quanto a pessoa com AIDS podem transmitir o vírus HIV em uma relação sexual desprotegida, ou seja, sem a utilização adequada da camisinha.


            No carnaval de 2017, o Ministério da Saúde iniciou uma campanha publicitária cujo foco era incentivar o uso de preservativos nas relações sexuais, principalmente entre os jovens. A campanha destaca um panorama sombrio no país: 260 mil pessoas estão infectadas com o HIV e não estão se tratando e 112 mil brasileiros têm o vírus da AIDS e ainda não sabem disso. Os jovens são o foco da campanha, pois essa é a faixa etária que menos utiliza camisinha. “Pesquisa de Conhecimento, Atitudes e Práticas indica queda no uso regular do preservativo entre os que têm de 15 a 24 anos, tanto com parceiros eventuais – de 58,4% em 2004 para 56,6%, em 2013 – como com parceiros fixos – queda de 38,8% em 2004 para 34,2% em 2013”. É importante frisar que a utilização da camisinha, além de prevenir a transmissão de DSTs, também evita uma gravidez indesejada que muitas vezes leva as mulheres a se submeterem a abortos em clínicas clandestinas, colocando suas vidas em risco.


            O cenário também é preocupante entre os mais novos. A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (Pense), em 2015, realizada a partir de um convênio celebrado entre o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e o Ministério da Saúde, com o apoio do Ministério da Educação, revelou que, dos 27,5% dos escolares do 9° Ano do Ensino Fundamental, antiga 8ª série, que declararam já ter tido relação sexual alguma vez na vida, 38,8% não utilizaram camisinha na primeira vez que tiveram relação sexual. Nessa fase escolar, a maioria dos jovens está na faixa etária entre 13 e 15 anos.


            Uma das razões de os jovens não utilizarem camisinha é o fato de não terem convivido com o risco de morte. “Os mais velhos viram ídolos morrendo de AIDS, como o cantor Cazuza no início da década de 1990. Mas, hoje o tratamento é gratuito e está disponível no SUS. O fato é que as pessoas não estão mais morrendo, embora percam qualidade de vida. Então, é preciso que a população entenda o risco que envolve a transmissão da AIDS e se proteja. Queremos evitar que novos casos, todos os anos, se somem aos 800 mil brasileiros que já têm o vírus”, alertou o Ministro da Saúde Ricardo Barros, durante o lançamento da campanha de prevenção à AIDS no carnaval de 2017.


            Como professor de Biologia, tenho oportunidade, em minhas aulas, de tratar do assunto com meus jovens alunos e sempre destaco, com veemência, que um “pensamento”pode levá-los a uma falsa sensação de segurança e encorajá-los a adotar um comportamento de risco. O pensamento é o seguinte: “ISSO NÃO ACONTECE COMIGO”.


            Muitos jovens, no auge da sua natural impetuosidade, acreditam nessa máxima e, por isso, acabam se expondo a atitudes perigosas, como dirigir embriagado, envolver-se em brigas, em atos diversos de violência e a praticar sexo sem preservativos, acreditando que consequências mais sérias estão reservadas sempre para as outras pessoas e que tragédias fazem parte somente de notícias de telejornais.


            A AIDES (uma entidade francesa que luta contra o preconceito sofrido pelos soropositivos)elaborou, há alguns anos, uma propaganda de prevenção à AIDS que foi veiculada nas mídias francesas. O motivo da criação dessa peça publicitária foi o aumento no índice da síndrome entre os jovens franceses. A propaganda criticou, de forma criativa, a crença dos jovens na invulnerabilidade com relação à transmissão da AIDS, mostrando os famosos super-heróis de histórias em quadrinhos,Superman e Mulher Maravilha, internados em um leito de hospital, abatidos e com aspecto típico de doentes terminais de AIDS.O propósito de seus elaboradores foi transmitir a mensagem de que ninguém está imune à transmissão dessa perigosa enfermidade, por isso a importância da prevenção por meio da utilização dos preservativos nas relações sexuais.


            Como bem lembrou o tenista alemão Michael Stich, ao criar também uma propaganda de prevenção à AIDS veiculada na Alemanha: “Apenas 0.003mm de látex separam a vida da morte”, em outras palavras, utilizem camisinha ou percam suas vidas para a AIDS. Há quem diga que não tem graça fazer sexo com camisinha, mas o que não tem graça mesmo é contrair o vírus causador da AIDS em relação sexual desprotegida.


            O sexo faz parte da vida, mas, praticado de forma insegura e inconsequente, pode trazer a doença, o sofrimento e a morte.

           

           

 

 

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