Segundo os dicionários a palavra "atenção" é uma atividade mental de concentração, boa vontade, gentileza, dar importância e sinal de alerta, de cuidado.
Para manter a atenção é necessário um ambiente propício, deixar que o ritmo do som ocupe o espaço mental, ter interesse e manter as distrações bem longe.
Agora imagine chamar a atenção de um grande público que por si só é ansioso e desesperado por uma solução para tantos problemas. Mais difícil quando falamos de uma palestra, onde temos que nos manter sentados e apenas ouvindo por mais de cinquenta minutos. Assim como os alunos que conseguem, no máximo, manter sua atenção ´por vinte minutos, nós adultos estamos sofrendo do mesmo mal. A grande maioria, pois sempre existe a exceção.
Dizem que o brasileiro fixa mais nos direitos do que nos deveres. Leis, diretrizes, resoluções são assuntos "cansativos", taxados de chatos, até que precisamos deles para defender nossos direitos. Como dizem:"Só sentimos falta do que não temos", nesse momento corremos atrás. Talvez, se nos interessassemos mais pelo assunto não teríamos que correr atrás. Mas está é uma outra reflexão para outro dia.
Nossa questão aqui é em relação a manter a atenção. Em meio a um congresso, centenas de educadores, palco, som, iluminação, palestra. Por alguns minutos, ouve-se a voz do palestrante, identifica-se o tema, interesse de todos (refiro-me ao tema). Após alguns minutos... Um coro de vozes agudas, graves, borburinhos, como abelhas zumbindo. Logo vem a vontade de ir ao banheiro, levanta, com licença, passa, volta, com licença, senta e é a vez do outro que continua a mesma ladainha. E como a bexiga se encontra vazia, a garganta seca. Novamente: levanta, com licença, passa, volta, com licença, senta e novas idas e vindas.
O palestrante ali com todo convicção de que alguma alma bondosa está a lhe ouvir, mira o vazio para continuar, altivo em suas palavras, submerge aos seus dizeres e mantém a postura de quem sabe o que está fazendo.
Nesta altura, se estivesse em seu lugar a única coisa a fazer é tocar um tango, como disse o célebre Manuel Bandeira, em seu poema "Pnemotórax", pois essa doença, dificuldade em manter a atenção, não muito o que se fazer. Poderia até mesmo sentar-me em uma cadeira e imitar a platéia, buscando as mensagens no whatssap, melhor tirar várias selfs com a platéia. Seria uma saída para chamar a atenção. Mas, Deus ajuda quem cedo madruga, o cronômetro zera, o tempo de exposição acaba e tudo se encerra. E assim, aquele que tanto estudo, que veio partilhar seu vasto conhecimento irá partir. A sua contribuição será lembrada por poucos que ainda acreditam na utopia de um mundo melhor. O murmúrio continua e só interrompido por conta dos aplausos que anunciam o fim de uma etapa. Até o próximo dia com mais informações e mais conhecimentos.
A moral da história é que aluno é aluno, não importa a idade. Quando sentamos em uma "cadeira escolar" nos comportamos como tal e nos esquecemos de nossa dura realidade. Parabéns aos CDFs, meu sincero reconhecimento.