Da Redação
O Ten Cel PM Dutra Jr., comandante do 16º Batalhão da Polícia Militar de Fernandópolis, atendendo a uma solicitação da Reportagem, compareceu à Redação do jornal "O Extra.net" na tarde de ontem (08), quando confirmou uma informação que surgiu durante as investigações sobre um assalto, com intensa troca de tiros, registrado na madrugada do dia 11 de novembro de 2016, no Shopping Center Fernandópolis (leia mais nesta página).
O policial militar Cláudio Roberto Florindo da Silva, então com 40 anos, foi atingido por um tiro nas costas, na altura do ombro esquerdo, no limite de seu colete à prova de bala. Cláudio foi socorrido, ficou internado na Santa Casa de Fernandópolis mas acabou falecendo alguns dias após ter alta hospitalar, em decorrência dos ferimentos causados pelo tiro. No exame de balística feito pela Polícia Científica ficou comprovado que o disparo que atingiu Cláudio foi efetuado por um outro PM que o acompanhava naquele dia. "Surgiram muitos boatos. Chegaram a dizer que sequer teve tiroteio naquela ocorrência, um absurdo. Os policiais, eram 7 ou 8 naquele dia, chegaram em 3 viaturas ao local. Averiguavam uma denúncia recebida pelo 190 de arrombamento aos caixas eletrônicos no Shopping. Na chegada da PM foi tiro para todo lado, e tiros de fuzil. No lado de fora, havia alguns marginais que estavam como 'seguranças' dos bandidos que efetuavam o roubo nos terminais bancários dentro do Shopping. Eles estavam armados com fuzis, e os policiais ficaram sob 'fogo cruzado', com as viaturas sendo alvejadas várias vezes. Somente em uma delas tinha mais de 10 tiros de fuzil. Os policiais estavam no meio do caos, em situação de guerra, e tiveram que reagir para se protegerem, pois foram pegos de surpresa, numa emboscada e, devido ao horário, estava escuro ainda, não sabiam nem de onde vinha tanto tiro. Quem deu a 'pronta resposta' naquela situação delicada, de vida ou morte, foi o PM que, infelizmente, acabou acertando um disparo no Cláudio. Ele (que terá seu nome preservado) chegou a recarregar sua pistola .40 duas vezes. Essa ação do PM foi fundamental para a preservação da vida dos outros policiais. Foi, sem sombra de dúvida, uma fatalidade, um acidente. O PM não teve culpa, os culpados são os marginais", declarou Dutra Jr..
O caso foi investigado em Inquérito Policial Civil, a cargo da Delegacia Seccional de Fernandópolis. O relatório já foi enviado ao Ministério Público e está na fase de instrução de processo, que corre na 2ª Vara Criminal da Comarca. "Além do Inquérito Civil, que terá o devido julgamento na esfera judicial, nós instauramos um Inquérito Militar e uma Sindicância, que já foram concluídos e remetidos ao Ministério Público Militar. Esse caso já está no Tribunal de Justiça Militar. O PM autor do disparo não foi indiciado, já que apuramos que ele não teve culpa. Com as excludentes de criminalidade, ficou comprovado que ele não teve a intenção de acertar seu companheiro de trabalho. Ambos estavam cumprindo suas funções de policial militar. Num caso desse tem que haver investigação, e foi isso que fizemos, independente do Inquérito Civil. Até a Corregedoria chegou a acompanhar as investigações", pontuou o comandante da PM. A esposa do PM Cláudio já foi comunicada sobre o fato. "E quem deu a notícia foi o próprio PM que efetuou o disparo. O pai e a mãe do Cláudio foram ao Batalhão, e lá tiveram todas as informações que precisavam. A família de Cláudio receberá uma pensão. Cláudio terá uma promoção por ato de bravura e ainda terá direito a um seguro de vida. Mas isso demora alguns meses, tem a Sindicância e todo o processo investigatório. É o trâmite burocrático que temos que aguardar, e tudo será concluído o mais rápido possível", concluiu Dutra Jr..

Comandante Dutra Jr. afirmou categoricamente que não houve imprudência ou imperícia por parte do policial que atingiu Cláudio: "Não era de se esperar nenhuma outra conduta a não ser revidar", enfatizou. O Ten Cel cravou que ser policial no Brasil é a profissão mais perigosa do mundo: "A legislação precisa mudar, pois impera a impunidade, os marginais não têm medo das leis"
CENÁRIO DE GUERRA
Criminosos atacaram caixas eletrônicos dentro do Shopping Center Fernandópolis, em novembro do ano passado. Testemunhas perceberam a ação dos ladrões, após o alarme disparar, e acionaram a Polícia Militar, que foi recebida a tiros de fuzis.
Informações do boletim de ocorrência dão conta de que o grupo criminoso arrombou a porta do Shopping e chegou até o caixa eletrônico. Câmeras do local registraram a ação dos ladrões. Quando os policiais chegaram, criminosos, que estavam do lado de fora e vigiavam o perímetro, atacaram três viaturas com tiros de fuzis. Houve uma intensa troca de tiros.
No “meio do caos”, o cabo da PM Cláudio Roberto Florindo da Silva foi atingido na parte de trás do ombro esquerdo. Cláudio ficou com estilhaços de bala alojados no local, passou por cirurgia na Santa Casa de Fernandópolis e morreu dias depois de receber alta hospitalar em decorrência do ferimento. O cabo deixou a mulher e duas filhas.
MENOS DE 10 MINUTOS
O caixa explodido fica na praça de alimentação do Shopping e a explosão foi tão forte que a porta de acesso ao compartimento foi arrancada. Parte da parede e o vidro da bilheteria do cinema também quebraram. Segundo as testemunhas, toda a ação durou menos de 10 minutos.
Uma das viaturas caiu em uma ribanceira e outros dois policiais ficaram feridos no acidente. Os criminosos fugiram e, durante a fuga, atiraram ainda mais nos policiais.
Cláudio Florindo era cabo da Polícia Militar
Caixa ficou completamente destruído no Shopping Center Fernandópolis


Comoção e tristeza marcam sepultamento
Familiares, amigos, companheiros de farda e grande parte da população fernandopolense prestaram homenagens durante o sepultamento do policial militar. Na oportunidade, o Comandante Geral da PM Coronel Ricardo Gambaroni e o subcomandante-geral, PM Francisco Alberto Aires Mesquita também participaram do velório e sepultamento.