
Depois de um bom tempo de sumiço, essa semana o compadre Geraldo de Mello deu o ar da graça aqui na redação e para variar, contou mais um de seus famosos causos. Como não tinha nada de novo, contou um causo antigo. Se segure na cadeira, porque essa é daquelas de derrubar macaco do galho...
Diz ele que seu pai o lendário Coronel Zico Mello, que foi o maior caçador de onça que se tem notícia, certa ocasião viveu uma experiência incrível no tempo que ainda era moço e solteiro. Nessa época, lá por 1900 e bolinha, antes de desbravar osertão de Aparecida do Taboado, antes de ficar podre de rico, o velho Zicomorava em Ribeirão Preto onde na mocidade era um simples colono numa grande fazenda de café.
Certa noite, junto com alguns amigos da colônia, resolveu participar de uma caçada de tatu. Era noite alta, quando seu cachorro de estimação, o “Lampião”, conseguiu entocar a caça num buraco velho, desses abandonados, no barranco davelha e famosa estrada boiadeira. Disposto à pegar o bicho à unha, começou cavar no local e por azar, o cabo do enxadão acabou enroscando na corrente de seu relógio de bolso, que acabou caindo bem dentro do buraco.
Justo nesse momento, a sirene da fazenda tocou e ele teve que se mandar de volta , deixando para traz seu relógio de estimação. Para piorar as coisas, no dia seguinte, bem cedinho, começava a colheita de café e aí o pau torava reto. Daí ele só pôde retornar ao local só depois de uns quatro meses, no fim da colheita do café, e qual não foi a sua surpresa?
Acredite se puder, mas o velho e famoso “Noroscafe Patente” estava lá intacto, trabalhando direitinho e não tinha atrasado um segundo. Assustado, logo imaginou que aquilo era coisa de alma do outro mundo e prá lá de receoso, nem tocou no relógio.
Curioso, ele se escondeu atrás de uma moita de capim amargoso e ficou ali de botuca, assuntando o mistério. E acabou descobrindo porque o relógio de cordas não havia parado de trabalhar durante todo aquele tempo que ficou no buraco...
É que o lugaronde o relógio havia caído era a morada de uma baita cascavel. E como o pino do relógio ficou virado para o lado de entrada do buraco, toda vez que o bicho entrava e saia de sua toca, os guizos esfregavam no pino, “dando corda’ e mantendo o relógio funcionando...