“Seus olhos me prendem fascinam, a paz que eu gosto de ter. É duro ficar sem você vez em quando, parece que falta um pedaço de mim. Me alegro na hora de regressar, parece que vou mergulhar na felicidade sem fim...” (Trecho da canção “De Volta Pro Meu Aconchego” de Dominguinhos e Nando Cordel).
O coração acelera com facilidade, os olhos apresentam um brilho radiante, o pensamento se volta quase que exclusivamente para o seu par e a sua ausência, mesmo que seja por um tempo curto, traz uma saudade gostosa que se esvai em sua presença. Não se consegue pensar em mais nada. Esses são sintomas de um sentimento avassalador que é a paixão, que costuma marcar o início dos relacionamentos. Como preconiza a letra da canção, a felicidade sem fim é alcançada na presença da pessoa por quem se está apaixonado ou apaixonada.
O tempo passa, eles se conhecem melhor, as virtudes e os defeitos ficam mais evidentes (ninguém é perfeito), os planos de vida se convergem, até que decidem unir os corações, levando uma vida em comum.
São tão gostosos os primeiros meses de um casamento, deixando claro que a lua de mel não se restringe àqueles dias de viagem pós-cerimônia de matrimônio. A casa, a vida e a rotina são novas. Nessa fase, a paixão é renovada.
Todos sabem que casamento tem seus desafios, mas talvez a graça dessa tradicional união esteja justamente nesse detalhe. Após uma briguinha ou outra (qual casal nunca teve seus desentendimentos?), o sabor da concórdia é doce como mel e a paz retorna à rotina.
A vinda dos filhos confere um novo fôlego e não somente a relação ganha mais substância, mas a vida parece fazer mais sentido. A vida conjugal nunca mais é a mesma. Certamente é um marco no casamento a chegada dos rebentos.
Com o tempo, aquele sentimento ardente que é a paixão, paulatinamente vai sendo substituído por outro, que é sublime, profundo, maduro e difícil de explicar, porém, fácil de identificar e gostoso de sentir: o amor.
Paixão é inquietude, amor é calmaria. Paixão é fugaz e tênue, amor é perene, sólido e forte. Paixão é quase servidão, amor é cumplicidade. O amor ameniza qualquer defeito e acentua todas as virtudes. Caminham ao seu lado dois outros sentimentos: respeito e admiração. Não existe amor sem respeito, tampouco sem admiração pela pessoa amada. Um dos sinais de que um relacionamento possui solidez e de que terá longevidade é a presença do amor, respeito e admiração entre o casal.
Além dos filhos, outro evento marcante na união conjugal é o processo de amadurecimento e envelhecimento do par. E como é bonito ver um casal na terceira idade juntos, de mãos dadas, demonstrando respeito, carinho e afeição. Uma verdadeira lição de vida nesses tempos em que os casados se separam com extrema facilidade. De vez em quando, vejo casais celebrando bodas de ouro (50 anos de casamento) e já tive o prazer de presenciar uma boda de diamante (60 anos de união conjugal). Os dois com os cabelos grisalhos e com as faces marcadas pelo tempo, rodeados de filhos, netos e bisnetos.
O tempo passa e, infelizmente, chega o dia da separação, da solidão, da viuvez. A viuvez e a solidão são coirmãs que caminham de mãos dadas e acentuam a dor da separação no coração e na alma do cônjuge que ficou por aqui. É uma fase difícil, mas inexorável na vida de um casal.
“Se é duro ficar sem você vez em quando”, como diz na letra da canção, imagine ficar sem você para sempre nessa vida. Assim deve pensar e sentir uma pessoa que ficou viúva. Ficam as boas lembranças, as experiências, a sensação de ter vivido um relacionamento de sucesso e os maiores frutos dessa união: os filhos e os netos. Completa-se assim um ciclo de paixão, amor e solidão que marcam a união de um casal que consegue vivenciar um grande relacionamento.