
Conta o nosso amigo Nilton Prado, lá da Náutica Fernandópolis, que certa ocasião seu avô e um compadre do velho Prado, viveram um sufoco danado na volta de uma pescaria. Vento forte, rio bravo com grandes marolas e o barco de madeira fazendo água. Não tinham coletes salva-vidas, naquele tempo ninguém sabia nem o que era isso, e a tragédia parecia inevitável. O barco balançando feio, feito uma gangorra, a margem bem longe... A encrenca era grande!
O compadre do avô do Nilton, era como machado-sem-cabo, se caisse na água ia direto prô fundo. O velho Prado, mal sabia nadar prô gasto. No sufoco, começam rezar, fazer promessas...”Compadre, se eu morrer volto prá contar prá você como é a vida lá no Céu”, disse o compadre, aquele que não sabia nadar.
E o óbvio aconteceu. O barco afundou, e o avô do Nilton, no sufoco, conseguiu grudar numa galhada até chegar o socorro, e o compadre... coitado, “Deus o tenha!”.
Seis meses depois da tragédia, o avô do Nilton, durante o sono recebe a visita do morto...
--- Compadre Zé do Prado, sou eu o Tonho... lembra do nosso trato, que quem morresse primeiro voltava prá contar como era a vida lá no Ceu? Então...
--- E aí compadre, por acaso lá no Céu também tem rio, tem pescaria?
--- Viche, se tem! Tem até campeonato... e por falar nisso, é bom o compadre ir ajeitando a tralha, porque você já tá convocado prô nosso torneio de pesca que começa domingo que vem!